sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Pescar caranguejos

Pescar caranguejos
Gilvan Rocha

Após mais de 50 anos de militância socialista, estou cada dia mais convencido de que fazer política é como pescar caranguejos. Isso implica em dizer que, como pescar caranguejos, temos que botar a mão na lama. Fazer política na nossa realidade tem muita semelhança. E não é só a política de direita que é marcada por truques, calúnias mentiras e outros expedientes nada éticos. Na esquerda de matriz stalinista, incluindo-se aí os ditos trotskistas, os métodos condenáveis são praticados abundantemente. Mas o que devemos fazer diante desse quadro nada auspicioso para os que querem participar politicamente? Muitos se isolam sob o argumento de que detestam essa convivência tão nefasta. Porém, esse, ao meu ver, não deve ser o caminho das pessoas decentes que têm clareza da grave situação que vivemos, tanto aqui, como em escala mundial.
A única saída, no que pesem nossos escrúpulos, é meter a mão na lama da política e procurar retirar desse lamaçal, resultados que sirvam para o grande propósito da libertação humana das garras de um capitalismo exaurido.
Em outras palavras, é preciso termos consciência de que os problemas socias são de natureza política. Tomemos como exemplo a fome, esse mal tão antigo quanto o próprio homem, que poderia ser solucionado, pois dispomos de condições técnicas e cientificas para abolir essa chaga da face da terra, em questão de pouco tempo. No entanto, a fome persiste dizimando pessoas. Alguns, poucos avisados, procuram diminuir os seus efeitos promovendo campanhas minúsculas de combate à fome que se caracterizam por sua inegável insuficiência. Outro exemplo que poderíamos citar é a questão ambiental. É um erro, um grave erro, imaginar que tal questão pode ser resolvida no âmbito do capitalismo, com algumas leis proibitivas de ações predatórias do meio ambiente. Essa questão é, sobretudo, de natureza política. É preciso que a humanidade se dê conta de sua gravidade e tome nas mãos o destino do planeta.
Por essas e tantas razões, não podemos arredar do lamaçal político e sim enfrentá-lo, separando a lama do saboroso caranguejo.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Ladrão rico na cadeia?

Fomos surpreendidos com a notícia de que o governador do Distrito Federal, Roberto Arruda, havia sido preso. Fato dessa natureza é coisa muito rara. Porém, contrariando a vontade do Presidente Luis Inácio Lula da Silva, seu amigo, Roberto Arruda, chefe inconteste de uma quadrilha de larápios, teve a sua prisão decretada pelo Superior Tribunal Federal e foi recolhido à prisão. Aliás, o Presidente Luis Inácio Lula da Silva tem um pendor, muito estranho para fazer amizade com tipos bastante abomináveis da vida pública nacional. Lembremos o quão ele é amigo e parceiro de figuras como: José Sarney, Romero Jucá, Renan Calheiros, Jáder Barbalho, Orestes Quércia e outros tantos delinquentes nacionais.
Tal postura do Presidente não é tão estranha assim. Basta lembrarmo-nos da sua conduta por ocasião do mensalão do PT ou do episódio dos “aloprados”, desse mesmo partido, quando forjaram um dossiê cujo objetivo era denegrir a imagem do José Serra, então candidato a Governador do Estado de São Paulo. Por sua vez, é digno de nota termos em conta que a eminência parda do Partido dos Trabalhadores responde pelo nome de José Dirceu, figura reconhecidamente inescrupulosa e sempre pronto a levar avante planos diabólicos para se manter no governo e se locupletar das vantagens que o rico aparelho de Estado, pode proporcionar, inclusive com o tráfego de influência que, tão bem sabem manejar esse senhor.
De nossa parte, devemos reagir a tanta roubalheira, seja ela da direita neoliberal, representada pelo PSDB/DEM ou da direita moderada e populista representada por essa coligação esdrúxula que apóia o governo Lula e a candidatura da Dilma Rousself.
De uma coisa estamos convencidos. O capitalismo reinante não pára de produzir escandalosos absurdos.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Onde estavam eles?

Somos da opinião que a justíssima luta dos homossexuais reduz-se a uma única e fundamental bandeira: o direito de sê-lo plenamente, sem que haja a mais leve restrição, o menor preconceito, a menor discriminação. Mas para nós, militantes socialistas, é justo que possamos fazer algumas exigências, pois a julgamos pertinentes. Não é plausível que esses senhores e senhoras homossexuais limitem-se a promover festividades como o Baile de Gala Gay, a escolha da Rainha Gay, a Parada Gay, esta grandiosa manifestação que, todos os anos, ocupa as ruas de algumas cidades, com significativa aquiescência e apoio declarado da maioria da sociedade como um todo.
É necessário e justo que os movimentos dos homossexuais se posicionem diante dos graves e múltiplos problemas sociais e ambientais, que nós atravessamos e não se limitem a comportamentos fúteis, como soe acontecer em seus inúmeros e constantes eventos festivos.
Causou-nos muita estranheza que o movimento gay não tenha comparecido, massivamente, nas manifestações de protestos por ocasião da presença do Presidente do Irã, esse fascista, que responde pelo nome de Mahmoud Ahmadinejad.
Ora, o Irã padece de uma ditadura extrema que pune com a morte os casos de práticas homossexuais. Assim, é totalmente inaceitável e censurável que os movimentos gays não se lancem a denúncia sistemática do fundamentalismo islâmico, esse fascismo tão presente no mundo árabe de que são exemplos o Talibã e os regimes fascistas da Síria e do Irã.
Eles, os homossexuais, com plena razão, cobram da sociedade uma conduta de apoio a sua causa. Essa postura deve ter uma correspondência, pois não são somente os homossexuais objetos de intolerância e perseguição. Os negros, os judeus, os ciganos e, sobretudo os pobres, são discriminados com insuportável veemência. A luta por um mundo livre, pacífico e harmonioso é uma causa que nos pertence e gostaríamos de ver os alijados, os perseguidos, os discriminados na linha de frente dessa luta, o que seria realmente um ato de coerência.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A universidade é uma “roubada”?

A juventude tem sido vítima do capitalismo. Um contigente de jovens não tem outro destino se não as drogas o crime, a prostituição. Outros têm a sorte de encontrar um emprego e vender sua força de trabalho, a preço vil. Enquanto isso, a burguesia propala que a salvação está na universidade, pois ela se presta a qualificar a mão de obra para o mercado, mas a ela só tem acesso uma pequena minoria.
É verdade que ela produz técnicos e cientistas que a troco de salários prestam-se a servir ao sistema. Aqui, estão empenhados na descoberta de um remédio para uma doença crônica, ali, ergue obras de engenharias monumentais, adiante trabalha com habilidade para construir armas sofisticadas. Tudo sob o comando dos capitalistas a quem são totalmente subalternos. Ora, se o maior problema da humanidade é evitar a destruição da vida, a universidade está muito distante de fazê-lo, pois ela existe com dois objetivos: o primeiro, como vimos, criar técnicos e cientistas para seus feitos, e o segundo, garantir sustentação ideológica ao sistema. Nesse sentido a universidade é uma roubada e nunca uma saída para humanidade.
Isso não significa dizer que desaconselharíamos ninguém a buscar um lugar na academia, assim como não desaconselharíamos outros a venderem sua força de trabalho a alguma indústria. Quando discutimos a universidade e chegamos a acusá-la de verdadeira roubada, é porque ela se distancia do objetivo supremo da humanidade que é buscar a transformação econômica e social. Reconhecemos que, por contradição, ela possa oferecer alguns espaços para discussão que também deve ser feito nas fábricas.
Devemos fazer empenho por mais universidades para a juventude ao mesmo tempo em que devemos evitar mitificá-la, permitir que ela seja o monstro sagrado que haverá de salvar o mundo. Pelo contrário, a universidade, junto com as Forças Armadas, as polícias, o aparelho judiciário, todo o corpo de Estado são elementos de sustentação da ordem vigente.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O Cidadão Global

Os representantes mais destacados do capitalismo mundial, reunidos em Davos, na Suíça, resolveram prestar uma significativa homenagem a Luiz Inácio da Silva, pelo reconhecimento dos seus serviços prestados à causa da ordem vigente. Assim é que o Lula foi agraciado com o título de Estadista Global.
Exemplo de êxito na tarefa de tocar os negócios da República brasileira de forma a assegurar grandes lucros para a burguesia num clima de “paz social”, é natural que a cúpula do capitalismo festeje o nosso presidente.
Enquanto isso o Fórum Social Mundial, que pretendia ser oposição ao Fórum Econômico, portanto devia ter um caráter anticapitalista, caiu de joelhos e, surpreendentemente, aplaudiu de pé o senhor Lula, que pratica uma política de subsidiar a miséria e cooptar todo o movimento social, a começar pelas centrais sindicais e estudantis. Dessa forma ele tem conseguido, a preços módicos, a estabilidade política e social que o sistema almeja.
Não é a primeira vez que o capitalismo mundial lança mão dos serviços de um líder operário. O líder operário polonês, Lech Valessa, jogou uma papel decisivo na plena restauração do capitalismo naquele país. Para os bem informados, que se colocam em oposição ao capitalismo, há que repelir esses festejos, denunciando o seu caráter de manipulação do povo em benefício da burguesia e desmascarar “O Cara” como um serviçal inconteste do grande capital.
É óbvio que os oportunistas, os maus informados, os vacilantes, os fracos que não querem confrontar a opinião pública, embalada pelo engodo, se apressam em aderir ao lulismo com o intuito evidente de não desagradar ou porque deixa-se envolver por essa densa cortina de fumaça.
É claro que esse não é o nosso caso, temos compromisso com a verdade e dessa forma nos sentimos no dever de denunciar a fraude que busca a perpetuação do status quo.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

“A gangorra”

A burguesia não é uma só, homogênea. Ela divide-se em muitas frações e tem muitos interesses contraditórios. Mas quando se trata dos interesses gerais do capitalismo, da sua preservação, todas as frações se unem em defesa desse sistema. As diferentes frações burguesas se organizam em partidos e coligações para manipular o Estado em função dos interesses desses grupos. Entre os milhares de truques que a burguesia usa para se manter está o truque da “gangorra”.
O truque é assim: quando umas frações estão de cima, as outras que estão de “baixo” lhes fazem oposição, procurando explorar os deslizes e erros cometidos pelos que estão no governo. Quando esses governos tornam-se impopulares vem a oposição e assume o seu lugar trazendo esperanças para o povo, até se esgotar, e assim, vem governo e vai governo e o sistema capitalista permanece intocado.
Essa manobra é usada em quase todo o mundo. Exemplo clássico é o da Inglaterra onde se alternam no governo o Partido Conservador- PC e o Partido do Trabalho- PT. Nos Estados Unidos a alternância é entre os Republicanos e os Conservadores. Aqui no Brasil querem impor a seguinte “gangorra”: o PT e outros partidos da burguesia ocupam o governo. Apresentam-se, como oposição, os “neoliberais” do PSDB, DEM...Chama atenção o fato deles imporem a seguinte dicotomia: direita, são os neoliberais, aqueles que reclamam liberdade total para o mercado e, esquerda, seriam aqueles que indentificam o Estado como se fosse do povo, o que é uma deslavada má fé.
Resta-nos arrebentar esta “gangorra” mostrando ao povo que “direita e esquerda”, nos moldes deles, não passa de uma mentira. A verdadeira esquerda, anticapitalista, tem por obrigação de denunciar esses e outros truques que eles apresentam.
Temos que fugir da “gangorra”. Temos que desmantelar o discurso burguês, seja ele que feição tenha, “neoliberal” ou “presumidos desenvolvimentistas” À la Celso Furtado: esquerda é anticapitalismo e pronto. O resto é falácia, é enganação.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Morosa e amorosa

Para os ricos e alguns tranbiqueiros bem sucedidos, a nossa justiça é morosa e, sobretudo, amorosa para com eles. Basta que olhemos para figuras do Maluf, do Jader Barbalho, do Romero Jucá, do Oreste Quecia e do senhor José Dirceu, de quem se diz que se tornou um homem rico. Esses são tranbiqueiros notórios de nossa querida República. Para completar nosso drama, vale apena citar o caso do banqueiro Daniel Dantas, que preso, logo foi solto pelo presidente do Supremo, Gilmar Mendes. Outro exemplo escandaloso é da Camargo Correia que submetido a uma investigação, foi “merecedor” da benevolência de outro ministro do Supremo, que ordenou a suspensão imediata da investigação.
Não é de admirar, portanto, que os tranbiqueiros ricos, que podem pagar bons advogados, tenham certeza de sua impunidade. Enquanto isso, as camadas mais pobres da população, que não dispõem sequer dos serviços de uma superlotada Defensoria Pública e amarga os dissabores de tantas injustiças. Essa é a verdadeira face cruel do capitalismo. Para os ricos, tudo de bom! Para os pobres, o rigor do chicote invisível. Temos que reverter essa situação.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Remediar

Artigo publicado no jornal O Povo.
O Povo
http://www.opovo.uol.com.br/opovo/opiniao/947172.html
Remediar
Gilvan Rocha
22 Jan 2010 - 01h01min

Madre Tereza de Calcutá. Irmã Dulce, da Bahia. Agora, Zilda Arns, são figuras, com justiça, reverenciadas pelo trabalho dedicado a socorrer os pobres e miseráveis. São elas cristãs e o cristianismo tem a milenar tradição de administrar a miséria, ministrando algumas doses de assistencialismo. Outro cristão, no caso, o saudoso Betinho, sob o argumento de que ``a fome tem pressa`` buscou criar os ``comitês de cidadania`` cujo objetivo era arregimentar homens e mulheres de boa vontade, para socorrer os famintos. As Atitudes do Betinho, como da Madre Tereza de Calcutá, da Irmã Dulce, da Zilda Arns são louváveis porém, completamente insuficientes e terminam por servir aos que assim agem, pois que, no hipotético Céu, está reservado um lugar para eles e depois, (quem sabe?), poderão ser canonizados.

Diferentemente dos cristãos de boa fé agem, em princípio, os marxistas, ou melhor, os socialistas, que, ao invés de pretender remediar os males socias, causados pelo capitalismo, buscam ir às causas e resolver definitivamente, esses problemas milenares.

Essa diferença de comportamento, entre cristãos e marxistas, merece reflexão. Ambas as correntes não devem se afastar, porque sobre elas pesa a tarefa de construir a paz, a harmonia, através da justiça social que o capitalismo não pode oferecer. É preciso união sem discriminar credos e convencimentos e não é demais, porém, alertar para o equívoco de todo trabalho que se limite a mitigar o sofrimento dos desvalidos.

A união torna-se necessária e, sobretudo, urgentíssima, uma vez que a ordem econômica, cujo eixo é proporcionar lucros para uma minoria, tornou-se inviável e nos arrasta para tragédia total, como se vê pelos sinais que a própria natureza agredida tem nos dado fartamente. Salvar o mundo, salvar a vida é a tarefa que hoje se impõe a todos nós e dela não devemos fugir, pois seríamos cúmplices de nossa própria destruição, num espetacular suicídio social que só a conscientização permanente e abrangente desse problema poderá evitar.

Gilvan Rocha - Presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos
(Caep)
gilvanrocha50@yahoo.com.br

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Haiti sem Estado

O Estado não foi uma criação gratuita da sociedade. Por milênios a humanidade desconheceu a necessidade de Estado. Esse longuíssimo período histórico passou a ser conhecido como comunismo primitivo que se caracterizava pela ausência da propriedade privada e, portanto, de classes socias. Com o advento da propriedade privada e da consequente divisão da sociedade em classes, fez-se necessário esse instrumento de poder político que se chama Estado e sua função era e é garantir a desigualdade social, reprimindo qualquer manifestação de descontentamento.
O padre Aristides, eleito Presidente do Haiti, decretou o fim do Exército e da Polícia, esteios do Estado. Esse gesto deveria fazer a alegria dos anarquistas que se contrapõem, pura e simplesmente, à existência do Estado. Praticamente sem Estado, o Haiti continuou miserável e a burguesia local continuou desfrutando de suas regalias. Diante da catástrofe sísmica que se abateu sobre o Haiti, a ausência parcial do Estado tem se apresentado como razão de dificuldades para administrar o descontrole social reinante.
Diferentemente dos anarquistas, os marxistas têm a compreensão da necessidade de um Estado anti-Estado. Isso se dá porque a revolução social não permite um imediato estabelecimento da igualdade. Daí a necessidade de se construir um Estado cuja tarefa é planejar a economia de modo a conquistar o nivelamento, ou seja, o desaparecimento de classes socias, o que redundará na supressão do Estado, vez que ele se torna desnecessário, obsoleto.
Em um quadro de acentuada desigualdade, como é no Haiti, torna-se imprescindível o Estado para evitar transtornos maiores, seja esse Estado burguês ou, no melhor das hipóteses, um Estado dos trabalhadores e o Haiti, atualmente, está privado desse instrumento em qualquer versão e isso tem agravado a situação de descontrole social.
Urge que se criem, imediatamente, no Haiti, mecanismos de organização da sociedade que, nas circunstâncias atuais, dificilmente poderia ser um governo do povo.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Veja Bem!

Eis o panfleto distribuido pelo Centro de Atividades de Estudo Político - CAEP na Granja Lisbos, Granja Portugal e Conjunto Ceará. Leia e divulgue.