sexta-feira, 14 de maio de 2010

Um discurso ambientalista

Fui convidado para participar da apresentação da companheira Soraya Tupinambá, provável candidata a governadora do estado do Ceará. Soraya é uma militante, guerreira de várias batalhas, porém ateve-se a um discurso essencialmente ambientalista. Chegou a dizer que a proposta de sua candidatura seria a de promover o desenvolvimento sustentável. Tive o ímpeto de perguntar a companheira se seria exeqüível um projeto de desenvolvimento sustentável no âmbito do capitalismo. É evidente que a bandeira de defesa do meio ambiente não somente é pertinente como é essencialmente vital. Mas não é de bom alvitre desvincular a luta pela preservação da natureza, ou melhor, pela preservação da vida, se não associamos intimamente a luta contra o capitalismo, deixando bastante claro a dependência intima entre essas duas bandeiras.
Pelo que eu conheço da companheira, a sua candidatura se pretende fundamentalmente a fazer a denuncia do capitalismo, incluindo nela os nossos protestos aos baixos salários, ao desemprego, a violência, a corrupção e tantas mazelas próprias do sistema sócio-econômico vigente. Se no passado o capitalismo foi progressista, hoje ele se exauriu e se transformou em uma monstruosidade, e o planeta já não suporta a sua sobrevivência. Também, as massas dos despossuídos, não suportam mais a vigência desse sistema.
Tudo pela preservação do meio ambiente. Mas, quem o agride? Quem o depreda? Quem destrói o nosso planeta? E a resposta inequívoca e clara deve ser uma só: o capitalismo. Eis a questão fundamental. Eis o que deve ser dito ao povo e a campanha eleitoral poderá ser uma ótima oportunidade de conscientização das massas populares. Sem esse propósito não faria sentido que nós, socialistas, participássemos desse processo.
Feitas essas considerações, aproveitamos para apelar não só à Soraya, como a todos os candidatos de perfil anticapitalista, para que viabilizem o discurso anti esse sistema, e proclame a única solução, a única saída que se coloca para a humanidade diante da ameaça de sua própria destruição: o socialismo.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Pedofilia na Igreja Católica

É estarrecedor o números de casos de pedofilia havidos e havendo nas hostes da Santa Madre Igreja. Precisamos deixar claro que o número de patologias e desajustes no quesito comportamento sexual tem sido realmente assombroso. Mas não podemos descurar que vivemos um momento de exacerbação do sexo levada ao extremo. Na televisão ou no cinema, vêem-se, cenas implícitas e explícitas de sexo. Nada ou quase nada se vende sem que se use uma mulher seminua como objeto de propaganda.
Não é inteligente pensarmos que o capitalismo só traz danos à natureza e produz mazelas sociais como a fome, o desemprego, o baixo salário, a corrupção, a violência.... Ele produz sim, ao lado dessa e de tantas mazelas, profundos desajustes sociais e comportamentais. Imaginar que tais coisas sempre aconteceram é uma irresponsabilidade. Na verdade elas aconteciam, mas não na escala com que hoje se apresentam, quando o sistema sócio - econômico vigente dá vivos sinais esgotamento, levando-nos a uma situação de fim de festa com conseqüências drásticas para o conjunto da sociedade e ameaça real de que os desastres se aprofundem levando-nos para a tragédia total.
Os defensores da Santa Madre Igreja apresentam um argumento que vai da ingenuidade ao desrespeito à nossa inteligência. Dizem eles: a pedofilia e outros abusos sexuais não acontecem somente nas fileiras da Igreja Católica e não apontam outras instituições que tenham se mostrado infestadas pelos germes da corrupção do comportamento. Mesmo se admitindo que outras entidades pratiquem, em escala, comportamentos tão repugnantes, é hora de dizer a esses senhores que essas hipotéticas instituições, diferentemente da Santa Madre Igreja, não são inspiradas e protegidas pelo “divino espírito santo” como eles pretendem. Seja verdade que a Igreja Católica é untada por forças divinas estaremos diante de um dilema: ou essas forças são precárias ou não passam de falácias ao dizer que elas são inspiradas nas benções dos céus.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Falta vergonha

Não é costume nosso abordar as questões políticas pelo prisma do moralismo, entretanto, o cinismo, o descaramento do já velho Partido dos Trabalhadores é tamanho que nos deixa completamente indignados. Este partido deixou de lado qualquer pudor. Mas o que se haveria de esperar de uma agremiação cuja “eminência parda” é o José Dirceu? Não bastasse esta figura, registram-se nomes como os de Delúbio Soares, Luiz Guchiquem, Antônio Palocci, José Genuíno, Silvio Pereira, João Paulo e outros da mesma laia, exercendo suas maléficas influências. É oportuno ressaltar o fato de que o PT, nos bons tempos, opunha-se a fazer aliança com o PMDB ideológico, representado por figuras históricas como Franco Montoro, Tancredo Neves e Ulisses Guimarães, para hoje fazer alianças e negócios com o PMDB fisiológico de José Sarney, Jader Barbalho, Romero Jucá, Renan Calheiros, Michel Temer e outras figuras marcadas pelo fisiologismo, pela mais pura bandalheira do nosso cotidiano político.
O caráter fisiológico do PT fica cada vez mais explicito. O não menos fisiológico Anthony Garotinho disse, certa vez, que o PT é o partido da “boquinha”. Parece que esse aludido senhor foi generoso na sua acusação, pois o PT tem se mostrado ávido de grandes negociatas e permanentes mutretas e assim tem servido muito aos banqueiros e, especialmente, aos empreiteiros, sempre dispostos a alimentar com fartos recursos a gula fisiológica desse partido que, quando surgiu, se dizia diferente.
No Maranhão, o PT, por determinação da direção nacional, deixará de apoiar o candidato do PC do B ao governo, para apoiar a candidata Roseana Sarney. Em Minas Gerais, a direção do PT impôs uma aliança com o velho “garoto global” Hélio Costa, do PMDB, em detrimento de candidato próprio. Dessa forma, a cada passo, se revela a completa descaracterização desse partido que, um dia, foi o móvel das esperanças mais justas das classes trabalhadoras. De tudo isso, sobra a tristeza de ver que grande parcela do povo ainda se deixa levar por este embuste.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O Primeiro de Maio

No primeiro de maio próximo passado, segundo o jornalista Fernando Barros e Silva, do jornal Folha de São Paulo, foi quentíssimo na Grécia, quando os trabalhadores, em manifestação de protesto, foram duramente reprimidos pela polícia em nome da sagrada ordem capitalista. Na Espanha, França, Alemanha, Portugal, Áustria e Suíça, houve mobilizações de trabalhadores, seguidos de grandes protestos. No Brasil, as coisas aconteceram de forma diferente. A corrompida Força Sindical promoveu, em São Paulo, uma grande festa com direito a discursos eleitoreiros encabeçados pelo presidente Lula. Esses discursos foram seguidos por sorteios de casas e automóveis, acompanhados de música e dança, numa forma eficaz de anestesiar as massas populares e garantir a paz e a tranqüilidade, tão ao gosto da grande burguesia.
Isso sim, é modo de “PT de governar”, que tanto nos prometiam, como se fosse algo revolucionário, mas o que se tem verificado é a manifestação moderna do getulismo, ou seja, afagos aos pobres com assistencialismo, e fartos lucros para a burguesia nacional e internacional. Não foi por acaso que o presidente Barak Obama reconheceu ser Lula “o cara”. Não foi por acaso que a cúpula do capitalismo internacional apontou o serviçal metalúrgico como o estadista do ano. Por essa mesma razão Lula foi incluído na lista dos 25 personagens mais influentes do planeta.
Diante de tão triste quadro, lamentamos que uma imensa legião de desavisados esteja sempre pronta a apoiar os pleitos eleitorais do PT e companhia. Não compreendem, por desinformação, esses companheiros que fomos enredados numa autentica armadilha. Como já dissemos, pratica-se no Brasil “a fórmula da trapaça”, que consiste em destinar gordas verbas as centrais sindicais e estudantis, para que se mantenham engessadas, enquanto se administra uma política populista para as grandes massas e, dessa forma, oferecer paz social aos capitalistas para que possam usufruir lucros sem que haja o menor rugido, o menor protesto dos explorados e excluídos.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Dela não nos livramos!

Grande parte da população Crê que está distante da política. Não percebe, essa maioria, que a política está presente na vida de todos nós. A casa que nós moramos tem tudo a ver com a política habitacional. A feira que nós fazemos tem tudo a ver com a política salarial ou a política de emprego e renda. A nossa integridade física tem a ver com a política de segurança. A comida que consumimos tem a ver com a política de abastecimentos e preços. E assim vai. A política está presente em nossas vidas a todo o momento e, por sua vez, ninguém vive sem um discurso político na ponta da língua.
Senão vejamos: perguntemos a um simples trabalhador rural por que existe a fome e ele fará, com certeza um discurso político dizendo: “acontece que o povo não quer mais trabalhar e daí existir a fome nesse meio de mundo”. Isso é uma legítima falação política, embora as pessoas não percebam. Continuando na nossa pesquisa, abordemos uma senhora e perguntemos: por que existe tanta violência? E ela de pronto irá responder: “A falta de Deus em nosso coração”. Ao professor, que se pretende politizado, perguntemos qual é a causa de nossas mazelas sociais e ele dirá:” tudo é culpa do imperialismo ianque, que rouba nossas riquezas e nos mantém como um país semicolonial”.
E assim, podemos concluir que todos, desde o mais simples trabalhador ao brilhante letrado, tem o seu discurso, pois ele é inevitável. Resta saber se somos ou não portadores de um discurso correto ou se patinamos em cima de equívocos. Nas falas a que nos referimos, existem sim, os mais contundentes equívocos. Cabe-nos, pois, construir um discurso que realmente corresponda à verdade política. Somente assim é que poderemos nos libertar dessa situação de atropelos e inseguranças. Um projeto político correto teria de sair da compreensão de que vivemos no sistema capitalista e ele está completamente exaurido, incapaz de resolver qualquer uma das mazelas sociais que nos afligem. Partindo daí, haveremos de formular o discurso da verdade, o discurso anticapitalista.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Frente e Verso

Aproximam-se as eleições. Para Presidente tentam nos impingir uma polarização tipo José Serra e Dilma Rousseff. Trata-se de frente e verso de uma mesma moeda. Dilma e Serra não extrapolaram os limites de uma política de administração do capitalismo. Nem sequer existe divergência que possa ser levada em consideração. É direita contra direita, na acepção rigorosa da política. Os segmentos mais conscientes devem repudiar essa tentativa de nos impor uma escolha que nada mais é do que permanecer no âmbito da ordem vigente.
Algumas pessoas em repudio a essa grotesca e esperta artimanha tem optado pela candidatura de Marina da Silva. È claro que, no que concerne a questão ambiental, há diferenças consideráveis entre as duas candidaturas citadas e a candidatura postulada pelo Partido Verde. Mas é bom deixar bem claro que o preservacionismo que Marina propugna dar-se-ia, tão somente, no âmbito do capitalismo. Ela seria então uma candidata representando uma proposta, cujo eixo é o impraticável desenvolvimento sustentável, que se adequaria perfeitamente a ordem econômica e social vigente.
Dentre as candidaturas postas, eis que surge a candidatura de Plínio de Arruda Sampaio. Trata-se de uma candidatura que tem um perfil qualitativamente diferente. Plínio de Arruda, tem uma posição explicitamente anticapitalista, ou seja, ele defende a tese de que as mazelas sociais, inclusive as agressões ao meio ambiente não poderão ser resolvidas no âmbito dessa mesma ordem assegurada pelos outros candidatos citados.
Plínio, como nós, compreende que o governo Lula pratica uma política populista, cujo resultado final é administrar, com certa habilidade, a pobreza e a miséria e assim, evitar tensões sociais para melhor garantir os vultosos lucros à grande burguesia. É claro, que não é isso o que devemos querer. Nosso propósito caminha no sentido da plena emancipação dos despossuídos do jugo capitalista e pela construção de uma sociedade, que administrada sob o signo dos interesses da humanidade haverá de nos assegurar justiça e paz.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Sono Tranqüilo

A depender dessa esquerda convencional da qual fazem parte o PT, o PC do B e similares, a burguesia pode dormir o seu sono tranqüilo. Primeiro ela não é explicitamente anticapitalista, nem na teoria e muito menos na prática. Na melhor das hipóteses diríamos que essa esquerda convencional é de caráter evolucionário.
Acreditam a maioria e fingi acreditar os vivaldinos, que delas se locupletam que de “vitoria em vitoria” alcançaram o grande objetivo de termos uma sociedade sem a exploração do homem pelo homem e que respeito a natureza.
Ora, tem-se fartamente demonstrado que o socialismo evolucionário nos leva a sucessivos desastres, pois é sabido que a burguesia quando dá com uma mão tira muito mais com a outra e que não poderemos conquistar uma sociedade igualitária sem que haja rupturas. Comecemos por lembrar que a serviço da desigualdade existe o poder de Estado que é um conjunto de instituições e aparatos que servem para a manutenção chamada ordem capitalista. Temos dito e repetido, que governo é apenas governo e que o poder é coisa bem distinta. Conquistar governos, não significa conquistar o poder. E quando acontece dos governos conflitarem com o poder, estes depõem o governo, o põem fora. A história é rica de exemplos. A começar pelo governo do senhor João Goulart, no Brasil; o governo do Salvador Allende, no Chile; o governo de Sukarno, na Indonésia; de Juan Torres, na Bolívia e por aí seguem os exemplos contundentes que essa própria esquerda evolucionária, na sua credulidade ou no seu oportunismo preferem calar.
Enquanto isso, a pretensa esquerda revolucionaria, praticamente se abstém de fazer uma campanha eficaz para impopulariza realmente o capitalismo. Esquece que o povo é a única força capaz derrotar esse sistema e que, para tanto, é necessário que ele, o povo, tenha consciência do seu real inimigo. Tivemos o exemplo do PSTU, por anos a fio agitou a bandeira do “Fora ALCA e o FMI”, que o governo Lula tratou de esvaziar completamente, deixando esse partido, presumidamente revolucionário, sem nenhum discurso.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A fórmula da trapaça

O Partido dos Trabalhadores, quando surgiu, dizia que seria um partido diferente. Aliás, o seu único propósito explícito era o de ser diferente, sem dizer, contudo, em que consistiria essa tal diferença. Somente após chegar ao governo foi que podemos descobrir a originalidade do PT, que seria, tão somente, “a formula da trapaça”. Em que consiste tal fórmula? A bem da verdade, ela não é nova, já foi experimentada ou levada à pratica, por grandes populistas como foram Juan Perón na Argentina e Getúlio Vargas no Brasil. A essência da trapaça consiste em assegurar aos banqueiros e aos grandes capitalistas, nacionais e internacionais, segurança e lucros, enquanto o governo populista administra as tensões sociais praticando políticas compensatórias para a massa do povo mais desprovido, ao mesmo tempo que engessa as centrais sindicais e centrais estudantis, submetendo-as ao silêncio e ao imobilismo.

Por essa razão é que a burguesia, particularmente os banqueiros e empreiteiros, enchem os cofres do PT com generosas doações. E, como temos repetidamente dito, não é com os políticos ideológicos dos partidos de direita que o governo petista procura se harmonizar. Muito pelo o contrário, o partido dito dos trabalhadores, pratica uma estreita comunhão com que existe de pior entre os políticos fisiológicos da velha burguesia, como são Paulo Maluf, Oreste Quércia, José Sarney, Jader Barbalho, Romero Jucá, Renan Calheiros e outros tantos tipos desse mesmo naipe.

A trapaça tem sido muito boa para os negócios da burguesia e tem semeado ilusões no seio das massas populares como evidencia os altos índices de aprovação ao governo petista. Caberiam as organizações que se reivindicam de esquerda fazer uma veemente denúncia desses fatos. Porém, partidos como PC do B, PSB, e o próprio PT tornaram - se partidos da ordem capitalista e, portanto, elementos de sustentação dessa vergonhosa trapaça. Em troca dos seus prestimosos serviços lhe são reservados milhares de cargos “em comissão” no vasto aparelho de Estado. Isso é simplesmente imoral.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Plinio Presidente!

Não é que se tenha esperanças no processo eleitoral. Quem conhece a historia, bem sabe que governos vão e vêm e as mazelas sociais continuam. Mas a campanha eleitoral é um momento em que podemos abrir uma discussão em torno do caráter perverso do sistema capitalista. É hora de chamar o povo trabalhador, a dona de casa, o estudante para abrir os olhos e ver que as querelas e o bate boca entre candidatos, não diz respeito aos verdadeiros interesses da grande massa popular. Isso deve ficar bem claro para todos nós.
Para as eleições presidenciais deste ano teremos na candidatura de Plinio de Arruda Sampaio a grande oportunidade de praticar o voto de protesto, o voto consciente. Teremos a oportunidade de dizer que no capitalismo só é possível ao povo ter, no máximo, salários menos ruins, transportes menos ruins, saúde menos ruim, educação menus ruim, moradia menos ruim... A boa escola, saúde de qualidade e outros tantos direitos e muitos privilégios são destinados unicamente à burguesia. Assim, entra governo e sai governo e a historia continua a mesma. Portanto, devemos denunciar esse fato e, como já dissemos, a campanha eleitoral pode se tornar uma ótima oportunidade para isso.
Plinio de Arruda Sampaio é um socialista revolucionário. É um homem que tem historia e coerência. É, explicitamente, anticapitalista e essa é uma grande razão para nos juntarmos em torno do seu nome para Presidente, muito embora saibamos que uma candidatura dessa natureza deva enfrentar muitos obstáculos a começar pelo exíguo tempo que disporá na televisão. Enfrentaremos, porém, esses obstáculos. Iremos de estado por estado, de cidade por cidade, de bairro por bairro, de casa por casa, conversar com o povo e convidá-lo, para nessas eleições, abrir os olhos e enxergar o fato de que há uma diferença estrondosa entre os nossos candidatos e os outros que não passam de serviçais do sistema capitalista.
Mas não basta votar em Plinio para Presidente. O nosso voto, o voto consciente, deve se estender aos nossos candidatos aos cargos legislativos. Devemos marcar o numero 50, que é o numero do Partido Socialismo e Liberdade (P-SOL), de cima a baixo

sexta-feira, 9 de abril de 2010

“Brasil - um país de todos”

Estávamos diante da televisão quando se repetiu, pela milésima vez, o slogan do governo Lula: “Brasil um país de todos”. A compositora e sambista Adelitta Monteiro não conseguiu conter a sua indignação. Disse ela na ocasião: “é muito descaramento, é muito cinismo dizer que o Brasil é de todos. Ora, de quem são as terras do Brasil? De quem são os bancos endinheirados? De quem é o agronegócio? De quem é o grande comércio? De quem são as minas e os minérios senão da burguesia fartamente enriquecida? Para a grande maioria, mais das vezes, não resta nada além de uns palmos de terra que um dia lhe servirão de removível sepultura e ainda têm a desfarçatez de proclamar que esse Brasil, cantado em prosa e versos, nos pertence.”

Isso é fazer a massa de trabalhadores, estudantes e donas de casa de idiota. Isso mesmo. Desde cedo a velha burguesia, usando os mais diversos instrumentos, trata de nos transformar em idiotas políticos para assim poder perpetuar seus privilégios.

Sendo assim, cabe-nos um só caminho: desfazermo-nos das ilusões, das mentiras tão bem plantadas em nossas cabeças. Temos que abrir os olhos, e nos tornar gente consciente e, isso significa enxergar que esse imenso Brasil, “a pátria amada”, tem seus donos e que não passamos de despossuídos. É bem verdade que alguns milhões de deserdados recebem migalhas através de campanhas compensatórias - tipo “Bolsa Família”, que serve muito bem para evitar tensões sociais e comprar o apoio dos desvalidos.

Não tínhamos como discordar da nossa querida compositora e sambista cuja indignação motivava-a compor mais uma de suas peças de samba que havemos de vê-la cantar para afugentar a desinformação e o deboche que eles não têm nenhum pejo em exercitar. Somente e tão somente, quando o povo trabalhador, o letrado ou iletrado, quebrar as amarras da alienação e se transformar em uma massa de gente consciente é que podemos dar uma virada histórica e proclamar: “Brasil, um país de quem trabalha” inserido num mundo de iguais, de justiça e paz.