sexta-feira, 23 de março de 2012

QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ!



            Não faz tanto tempo que o PT repudiava qualquer aliança com os partidos tidos como da burguesia. Em especial com o PMDB da época. Rejeitava com veemência o PMDB ideológico, onde se destacavam figuras de peso histórico como: Franco Montoro, Mário Covas, Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Pedro Simon, Paes de Andrade. A intransigência, até louvável, do PT naquela ocasião, levava a que o PT se negasse a participar do “espúrio” Colégio Eleitoral que elegeria Tancredo Neves, chegando ao cúmulo de expulsar dois deputados federais petistas que participaram do Colégio Eleitoral. A mão de ferro de conotação ideológica negou-se, de inicio, a assinar a constituição aprovada em 1988 pela assembléia constituinte presidida por Ulisses Guimarães.
            Tudo leva a crer que o PT seria fiel aos interesses históricos dos trabalhadores. Qual nada! Bastou que esse partido chegasse ao governo para se mancomunar com Sarney, em lugar de Ulisses Guimarães, com Renan Calheiros, em lugar de Tancredo Neves, com Michel Temer, em lugar de Mário Covas, com Jader Barbalho, em lugar de Franco Montoro... Vê-se, então, que o PT negou-se a dialogar com o PMDB ideológico, para fazer negócios, trambicagens, com o PMDB fisiológico, representado por figuras da pior qualificação política, que formam hoje o PMDB.
            Luizianne Lins, prefeita petista de Fortaleza, militante aguerrida e participante da Democracia Socialista, corrente radica do PT, hoje cai nos braços do senador Eunício Oliveira, um dos expoentes do PMDB fisiológico. E por aí vai para os esgotos pútridos da política burguesa toda esperança que um dia representou o PT para nós socialistas. Aqui e ali, a burguesia sentiu-se amplamente acalentada pelo comportamento petista que soube manter sob controle as massas populares e garantir grandes lucros aos capitalistas sem que fosse necessário experimentar momentos de tensões e intranquilidades. Por isso dizemos: o PT foi verde, depois maduro, para depois apodrecer. Quanto a esse fato só resta dizer: Quem te viu, quem te vê!

terça-feira, 20 de março de 2012

QUANTO MAIS SE REZA...



            Há um adágio popular que diz: “quanto mais se reza, mais o diabo aparece”. Diz-se isso quando os fatos negativos da nossa vida tropeçam em dificuldades apesar de buscarmos conquistar o bem.
            Fazemos uma ilação entre esse adágio e o que ocorre em nossas vidas. Segundo a nossa cultura religiosa, Jesus filho de Deus feito homem, veio ao mundo há dois mil anos atrás, com a missão de promover a paz, a justiça e o amor. Mas, caso se faça um balanço desses dois mil anos de história, vamos ver que ela está marcada por cruéis episódios. Tivemos, pelo lado cristão, os horrores das Cruzadas que cometeram atrocidades e, quanto mais se rezava, mais elas se faziam presentes. Não bastassem as Cruzadas, tivemos a demoníaca Inquisição e ficamos assustados quando nos damos conta de que a Santa Madre Igreja Católica, inspirada pelo Divino Espírito Santo, praticou tantas barbaridades apesar de nossas orações.
            Aliás, a história registra uma sucessão de tragédias, grande parte delas sob a sombra da sagrada cruz cristã. O processo de civilização com os descobrimentos marítimos está pontuado de massacres contra os nativos. E a cada massacre, erigia-se um templo sagrado, chamado a casa de Deus.
            Fôssemos imputar as desgraças sociais como obras dos demônios, veríamos que nossa caminhada está marcada por tragédias. Foram duas grandes guerras que ceifaram milhões de vidas e, enquanto os demônios riam de sua proeza, uma parte prostrava-se contrita apelando aos céus sem que obtivessem êxito.
            Estamos convencidos de que o demônio é a sociedade dividida em classes e camadas sociais. Estamos convencidos de que o demônio é a propriedade privada dos meios de produção que permite a exploração do homem pelo homem. Estamos convencidos que, hoje, o demônio na forma do capitalismo, tem conseguido levar avante grandes proezas, enquanto a constante edificação de templos não consegue, por si, deter a sua fúria, afinal templo é dinheiro e não será ele um instrumento de salvação, pois a salvação estará na nossa tomada de consciência.

sexta-feira, 16 de março de 2012

LANÇA-SE UMA CANDIDATURA



            Em Fortaleza, especulam-se os nomes de candidatos à sucessão municipal. Um nome, porém, ultrapassa a linha de fogo da especulação e se coloca oficialmente, como pré-candidato à prefeitura pelo PDT, trata-se do Deputado Estadual Heitor Férrer, militante do PDT, que tem ocupado o seu espaço para colocar-se como guardião da moralidade, quando se trata da gestão do Sr. Cid Gomes. Enquanto ele faz ferrenha oposição ao governo, silencia diante da desastrosa administração petista de Luizianne Lins, por razões que não ficam bem claras para nós.
            Por seu turno, vale salientar que todo o processo eleitoral, ou de preparação para ele, limita-se a discutir como se deve, ou não, dirigir os negócios do capitalismo, seja em nível federal , estadual ou municipal. Pouco vemos falar que há uma distância abissal entre governo e poder. Pouco se ouve falar que os processos eleitorais não põem em disputa o poder, limitando-se apenas às disputas de governo.
            Ora, é de suma importância ter-se em conta que as mazelas sociais como o desemprego, os baixos salários, as drogas, as favelas, a violência e algumas tantas outras, decorrem do sistema capitalista. Aí está a raiz do problema. E uma luta verdadeiramente consequente tem que atacar o mal pela raiz, tem que ser de caráter anticapitalista.
            Não queremos dizer que devemos nos negar a participar do processo eleitoral, mas enquanto socialistas, o que não é o caso do Sr. Heitor Férrer, não temos o direito de enganar o povo, dizendo que nesse sistema permite-se a alternância no poder. Não. O que existe é apenas alternância no governo. O poder, o Estado, continua em mãos da burguesia, e nunca será posto em disputas eleitorais.
            No que pese nosso respeito ao Deputado Heitor Férrer, é necessário para nós, socialistas, termos bem claro, que a tarefa de gerenciar os negócios da burguesia é tarefa da burguesia e seus asseclas. Quanto a nós, militantes socialistas, a tarefa central, está justamente em desconstruir o poder burguês e construir o poder dos trabalhadores.

terça-feira, 13 de março de 2012

FICHA LIMPA



            A PEC aprovada no Congresso Nacional, ensejou que o combativo Deputado Estadual do Ceará, Heitor Férrer (PDT), tomasse a iniciativa de promover medida similar através da Assembléia Legislativa. É curioso como deputados, vereadores e outros políticos de carreira, falam tanto na moralização do serviço público e comportam-se de tal maneira que a proposta do Sr. Heitor Férrer caminha com toda lentidão possível. Até a data de ontem, 06 de março de 2012, apenas 23 deputados haviam assinado a referida proposta. Demais adesões espera-se que venham a existir. A PEC só poderá ser aprovada caso seja apoiada pelo número mínimo de 28 deputados e aí rondam algumas incertezas, pois Heitor Férrer é um aguerrido e solitário opositor ao governo do Estado e por essa razão, talvez, haja algumas iniciativas no sentido de bloquear a aceitação de sua proposta. Isso evitaria que o deputado viesse a ocupar as manchetes dos noticiários. Além disso, ele se coloca como candidato à Prefeitura de Fortaleza, e é claro que tal postura não é do agrado da legião de partidos que formam a base de apoio do governador.
            A propósito dessa questão, temos observado como as forças políticas atuantes têm rondado o processo eleitoral como se ele fosse a única forma de se ter participação política, quando na verdade predomina a demagogia, a mentira, as falsas promessas, a corrupção tanto dos que compram votos, quanto dos que vendem o seu voto ou de sua família a troco de migalhas e outras benesses.
            Essas considerações servem para que despertemos para o fato de que todos os arranjos no sistema capitalista não passam de meros remendos, é como enxugar gelo, ou querer transformar animais carnívoros em animais vegetarianos. Pura ilusão.
            Não propomos a nossa omissão no processo eleitoral. Não; dele devemos participar e aproveitar os espaços que nos são concedidos para denunciar a inviabilidade do capitalismo e propor a união dos explorados e oprimidos em torno da construção de um novo projeto de sociedade, uma sociedade sem exploradores e explorados. 

sexta-feira, 9 de março de 2012

QUESTÃO IDEOLÓGICA

Deixemos bem claro o que é ideologia e o que é fisiologia, na linguagem política.
            A sociedade capitalista é dividida em duas grandes classes sociais, a burguesia e os trabalhadores. Cabe aos políticos burgueses defender os interesses do sistema, mesmo que isso leve a grandes sacrifícios.
            No Brasil, tivemos o exemplo maior de um comportamento ideológico de um quadro burguês. Referimo-nos ao suicídio de Getulio para estancar o golpe de Estado que seria dado em 1964 pelas forças mais reacionárias.
            Muitos políticos de relevância terminaram na pobreza por cultivarem um comportamento de decência na defesa do sistema que eles representavam.
            Os golpistas de 1964 afastaram os segmentos ideológicos da burguesia, na esperança de ver florescer um novo político, o tecnocrata, cujo grande exemplo era a figura do Sr. Delfim Neto.
            Essa conduta fez com que o próprio sistema perdesse quadros ideológicos, e com a redemocratização tiveram de lançar mão das velhas raposas fisiológicas.
            Os políticos fisiológicos de direita têm como objetivo obter vantagens que as instituições lhes fornecem, e aí estão eles presentes de norte a sul.
            Quanto à esquerda, os seus políticos ideológicos, outrora formavam a esmagadora maioria da sua militância. Deles muitos reagiram ao golpe de 64 e foram cruelmente triturados. Parte deles, nos dias de hoje, faz um raciocínio imoral dizendo: “de que serviram os anos de sacrifício e imolação? O caminho é aproveitar-se também do fazer político, enquanto servimos de muleta do capitalismo”. Sobrevive, porém, um brioso segmento de uma esquerda ideológica que não aceita o papel de serviçal da burguesia.
            No discurso do presidente do PT, comemorando o aniversário desse partido, foi posta a seguinte frase: “O Brasil cresce, o Brasil avança”. E esse é justamente o discurso que interessa à burguesia, pois é o discurso que desconhece o fato do Brasil ser um país dividido em classes sociais: a velha burguesia, a quem pertence o Brasil, e os trabalhadores dotados apenas de sua força de trabalho.

quinta-feira, 8 de março de 2012

BENDITAS DIFERENÇAS




            Coube a uma das coincidências da vida que eu nascesse no dia 08 de março, dia internacional da mulher. Homem e mulher se definem pelas suas inúmeras diferenças. Não é justo, porém, que essas benditas diferenças possam promover prejuízos para uma das partes. Pelo contrário, as diferenças servem para alentar a existência, depois de tê-la garantido.  A vida dar-se, a partir de dois pressupostos: a reprodução e a produção. O acelerado processo da produção levou a que o homem, por ela maior responsável, viesse a ocupar, indevidamente, uma posição soberana, e isso é preciso deixar de existir.
            No Manifesto Comunista de 1847/48, Marx e Engels deixaram bem claro que, a tarefa de libertação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores. Essa frase não se aplica às mulheres não é certo imaginar que a obra de emancipação da mulher seja obra da própria mulher, será sim, obra do conjunto da sociedade. Assim sendo, apenas irmanados na busca de um mundo de paz, justiça e amor é que devemos promover a igualdade de gênero.
Salve às mulheres!
Viva a liberdade!

terça-feira, 6 de março de 2012

O TAMANHO DO CÉU




            Abri as páginas do jornal fortalezense O POVO, e lá estava a fotografia de uma senhora, seguida de um depoimento: “passei toda minha vida morando em favelas, junto a insetos, lama e esgoto a céu aberto. Entrei para o programa Minha Casa, Minha Vida, administrado pelo Governo do Estado do Ceará, e tive a sorte de ser contemplada com uma das 300 unidades de moradia que haviam sido construídas sob a gestão desse governo. Estou me sentindo feliz em ter uma casa de alvenaria com 42m². Descobri que esse é o tamanho do céu para os milhões de miseráveis que, como eu, habitam as favelas mundo afora. Seja nas Américas, na Ásia, na África e hoje, também, na Europa. Logo percebi que o céu tinha um tamanho reduzido e mesmo assim com essa redução e outras precariedades, é para mim a conquista do paraíso. Aliás, digo, paraíso em termos de moradia, mesmo minguada. Entretanto, o meu desemprego constante e a situação do meu marido, que vive catando lixo, enquanto os filhos andam na rua exibindo seus trapos, faz com que eu me dê conta de que a minha minúscula casa não pode, nem poderá ser a minha vida, como tentam nos fazer crer as múltiplas propagandas.”
            Bem diz uma professora que mora no bairro: o sistema que nós vivemos, dividido em classes e camadas sociais, ou melhor, dividido entre pobres e ricos, não poderá nunca nos oferecer o paraíso, pois este já está reservado a uma minoria de ricos que usufruem de uma vida de bonança, bem abrigados e rodeados de segurança, isso para não dizer que, enquanto isso, nossos filhos perambulam pelas ruas desse novo bairro e os filhos dos ricos usufruem escolas de boa qualidade e conforto.
            Antes feliz, agora vejo que Minha Casa, Minha Vida, é um descaramento, pois não é possível admitir a felicidade reduzida a um cubículo de tão pouca dimensão. Assim sendo, ao invés de me enganar pretendendo ter conquistado o paraíso na terra, o correto é denunciar a trapaça que leva avante esse sistema capitalista administrando a pobreza e a miséria com migalhas e enganações.

sexta-feira, 2 de março de 2012

CRESCEM OS ESTUPROS


Nos últimos anos tem sido deveras chocante o número de estupros cometidos, inclusive contra crianças. No seio da Igreja Católica Apostólica Romana, tem-se evidenciado o fenômeno de pedofilia. Além da pedofilia clerical, que tanto tem chamado atenção, cresce em escala assustadora os casos de agressão sexual, geralmente seguidos de morte. Tantos têm sido esses fatos, que se tornaram banais, já não causam o mesmo impacto de anos atrás. A não ser quando o caso chega às raias do sumamente estapafúrdio. É nesse sentido que queremos nos reportar a um episódio dessa natureza, acontecido em Maranguape, município cearense, quando um jovem de 21 anos, estuprou uma senhora de 81 anos que clamava pelo socorro dos vizinhos. É um caso que foge totalmente ao que é costumeiro. Estamos “acostumados”, a ver adultos estuprarem adolescentes e até crianças da primeira idade. Somos, ou deveríamos ser, conscientes de que todos os fenômenos têm a sua explicação, e as agressões sexuais, os estupros, também devem encontrar resposta para tamanhas aberrações. Como sabemos, também vivemos no sistema capitalista e o capitalismo está disposto a sacrificar todo e qualquer valor moral, na busca insensata do lucro.  O capitalismo não somente convive com as extravagâncias e os horrores sociais, como se esmera em produzi-los quando esses horrores proporcionam ganhos e lucros para a classe burguesa. Ultimamente, uma das coisas que tem rendido lucros para certo segmento da burguesia é a exploração direta ou indireta do sexo. Existe a exploração considerada legal, lícita, que é aquela viabilizada através de revistas ou das imagens exibidas pelo cinema e pela televisão. Há uma exacerbação do sexo, sendo ora pela exibição em grande escala, seja pela repressão ostensiva como se dá nos mosteiros e em outros antros de caráter moralista, porém de conotação hipócrita. Parece-nos que é justamente nessa exacerbação do sexo, feita sem nenhum limite que está a razão pela qual têm se dado tantos desajustes no comportamento das pessoas, promovendo em alguns casos verdadeiras patologias.