sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Civilização do Automóvel



 
            No início do século passado, dá-se o surgimento da indústria automobilística. Essa indústria teve vários berços, mas foi nos EUA que ela assumiu um maior vigor. O automóvel tornou-se, além de um meio de transporte rápido, sinônimo de conforto e, sobretudo, prestígio. De tal forma exitosa, a indústria automobilística invadiu o mundo.
            Há cerca de três décadas passadas, numa palestra que fizemos, afirmamos que o automóvel tendia a se transformar em um trambolho e é isso mesmo o que está acontecendo, pois a cada dia, torna-se difícil transitar e estacioná-lo. Tenta-se resolver essa questão por via da engenharia, construindo-se viadutos, elevados e túneis, entretanto, essas medidas não têm se mostrado eficazes para a solução do problema da mobilidade urbana.
            Há os que clamam, com justiça, para que se faça maiores investimentos nos transportes de massa: trens, metrôs e ônibus. Mas, apesar da justeza desse pleito, menos automóveis e mais transportes de massas, a lógica do capitalismo contemporâneo, nessa questão, pressiona no sentido de que se aumente a frota de carros, congestionando as cidades.
            A força dos interesses da indústria automobilística é tamanha que, no caso do Brasil, vimos o governo “progressista” do PT e PCdoB, proceder ao incentivo na aquisição de automóveis, isentando-os, por um largo período, de impostos, ao mesmo tempo que ampliava as linhas de crédito, e o resultado foi catastrófico. Uma verdadeira política de mobilidade, voltada para o bem estar social, não poderia ser jamais essa que é levada a cabo pelo governo petista. O correto seria elevar os impostos para os usuários de automóveis e, assim, criar um fundo capaz de promover o financiamento dos transportes coletivos.
            Essa postura, porém, não se adéqua muito bem aos interesses mais imediatos do capitalismo e o governo petista nunca esteve, nem está, a serviço dos interesses da coletividade, pois como governo, sua missão é gerenciar os interesses do sistema socioeconômico vigente. Diante disso, é hora de nos colocarmos de pé e bradarmos, veementemente, por uma mudança radical na política de mobilidade urbana, clamando por mais e melhores transportes coletivos e menos automóveis.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Cara de pau




Ao lado da capitulação do PT, que se transformou numa legenda voltada, unicamente, para a tarefa de gerenciar a desigualdade, vêm à luz, seu representante maior com um discurso marcado pelo cinismo desbragado. Diante do congestionamento brutal que se verifica nas cidades e, mais ainda, na capital paulista, o sr. Ruy Falcão, presidente nacional do PT, declara que se deve aplicar uma política de investimento maciço nos transportes coletivos e impedir toda política que favoreça o uso incontido dos automóveis.
A postura do sr. Ruy Falcão expressa uma soberba dose de demagogia, quando ficou patente o empenho da sra. Dilma Rousseff em estabelecer incentivos fiscais, sobretudo dispensando o recolhimento do IPI, para as indústrias de automóvel, enquanto expandia uma linha de crédito para a aquisição de veículos particulares. Ora, para ser coerente, o governo petista, junto aos seus assemelhados, deveria implementar uma política que produzisse o mínimo de bem estar, no que diz respeito à locomoção. Entretanto, não é para isso que existem os governos dentro do sistema capitalista. O dever desses governos é, antes de tudo, garantir bons negócios para a burguesia, mesmo que eles venham em detrimento dos interesses da população como tão bem clara é a política de transportes que favorece os veículos particulares em prejuízo do coletivo.
Quando o sr. Ruy Falcão vem dizer que a saída para os insuportáveis congestionamentos que se verificam nas grandes cidades, penalizando, de forma cruel, as massas trabalhadoras, ele não está dizendo nada de novo, pois a população percebe perfeitamente o quanto é precário o sistema de transporte coletivo. Assim sendo, o citado senhor devia voltar suas baterias para o governo do PT e PCdoB que dá as costas aos verdadeiros anseios populares para atender, de forma servil, aos interesses capitalistas. Devemos, pois, rejeitar com veemência essa conduta cínica, cara de pau, dos que procedem demagogicamente em seus discursos, enquanto no exercício do governo se esmera em se agachar diante dos interesses daqueles que só tem por objetivo lucrar a qualquer custo.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Oligarquias




O Ceará viveu a oligarquia Acioli. Posteriormente, viveu a oligarquia dos coronéis: Virgílio, Adauto e Cals. Os progressistas, imputavam a eles todos os males sociais. Os coronéis, portando, eram “o inimigo principal”.
Em 1986, foi forjada uma aliança eleitoral, cujo objetivo maior era derrotar a “velha oligarquia”. Movimento nascido no Centro Industrial do Ceará, capitaneado pelo empresário Tasso Jereissati, levou avante uma campanha, cujo mote era o mudancismo. Deu-se a derrota dos coronéis, e assumiu um novo governo. De início, o PCdoB, em nome do “marxismo-leninismo”, participou da nova gestão. Mas, em seguida, as forças progressistas, romperam com o novo governo e passaram a acusá-lo de ser um novo coronel. Deram-se, depois, alguns embates e por fim, assumiu a gestão do Ceará, aos olhos de alguns, uma nova oligarquia que seria batizada como dos Ferreira Gomes. Essa nova oligarquia tem uma formação diferente. Primeiro, ela não detém, em si, poder econômico. Não desfrutou das forças das baionetas e quanto a sua possível tradição, tem um caráter restrito, paroquial, sobralense.
Para conquistar a hegemonia, os Ferreira Gomes, apoiaram-se em suas habilidades e, numa estreita aliança com os setores ditos progressistas. No início dessa aliança, participavam, intimamente, PT e PCdoB. Posteriormente, uma fração petista, contrariada, desgarrou-se, e passou a fazer virulenta oposição à “nova oligarquia”. O PCdoB permaneceu como aliado, e o segmento majoritário do PT continuou junto aos Ferreira Gomes, participando da gestão do Estado.
Esses fatos dão ao novo grupo político, momentaneamente hegemônico no Ceará, traços singulares que bem o diferencia dos velhos oligarcas. Isso não atenua o caráter conservador dos “novos coronéis”, entretanto, julgamos um desvio de natureza política, pretender eleger essa oligarquia, como inimigo principal, em nossa luta, secundando o discurso aberto e explícito contra o capitalismo, denunciando-o como o elemento que produz nossa realidade social e política.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Cientistas Políticos?



 
            As academias têm produzido, em escala quase industrial, legiões de “cientistas políticos”. Caberia a eles desvendar os enigmas da nossa vida social e aclarar as questões pertinentes ao constante jogo de poder. Ora, não é possível que essa tarefa possa ser equacionada e resolvida a partir das academias burguesas, pois desvendar as causas de nossos problemas, implica em constatar que as mazelas sociais e os imbróglios políticos têm como pano de fundo o capitalismo. Decorrente desse fato, o trato dessas questões, tenderia em levar a uma postura revolucionária, anticapitalista, e isso jamais poderia ser patrocinado pelo próprio sistema.
            As escolas têm duas tarefas a cumprir. A primeira é a de qualificar mão de obra para o mercado. A segunda, é a de consolidar a ideologia das classes dominantes, dando-lhes respaldo por conta do prestígio decorrente das titulações do tipo: bacharel, mestre, doutor, pós-doutor...
            Diante disso, rejeitamos, a ideia de que possa o saber oficial, produzir um conhecimento que leve à contestação do próprio sistema capitalista. É em função dessa impossibilidade real dos “cientistas políticos”, forjados pelas academias burguesas, de empreender um trabalho que nos leve a situar as causas dos males sociais e os caminhos pelos quais devemos trilhar para superá-los, é que clamamos pelo restabelecimento do livre debate e da reflexão necessária para nos trazer a lucidez política no encaminhamento de nossas tarefas e isso não haverá de se dar sob a permissão e o patrocínio da burguesia.
            Por conta da natural confusão e da ineficiência dos chamados “cientistas políticos” é que vemos esses senhores revelarem-se incapazes de perceber as diferenças entre governo e poder, redundando em sua incompreensão, formulações políticas das mais desastrosas consequências.
            Outro obstáculo que se coloca para os discípulos da academia burguesa é compreender o caráter de classe do Estado. Isso redunda, também, em posições desastrosas tanto na percepção da realidade política, como na proposição dos encaminhamentos. Em suma, poderíamos dizer: há uma total impossibilidade de um aparelho político e ideológico da burguesia, como é a academia, fornecer um conhecimento em contraposição ao próprio sistema.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

CUT e o neopeleguismo



Pelegos eram chamados os sindicalistas que se dedicavam a uma política de evitar atritos entre trabalhadores e o patronato. O peleguismo era um sindicalismo chapa branca. Tornou-se muito presente no governo do sr. João Goulart, com quem estabelecia o mais íntimo diálogo. Com o golpe de Estado contrarrevolucionario, em 1964, o sindicalismo janguista foi desmontado e sob as sombras da ditadura instalou-se um sindicalismo desfigurado.
Já em 1978, inicia-se um processo grevista, particularmente no ABC paulista, que traz no seu bojo a proposta de um novo sindicalismo. A palavra de ordem era desmontar o peleguismo e afugentá-los das hostes sindicais. Essa proposta teve repercussão no seio das classes trabalhadoras, o que ensejou a criação da Central Única dos Trabalhadores. Naquele momento, a criação da CUT representava um episódio alvissareiro. Pretendia-se haver sepultado o sindicalismo chapa branca para, em seu lugar, colocar-se um sindicalismo à altura dos anseios legítimos das classes laboriais.
O andar da carruagem, porém, levou a que o irmão siamês da CUT, no caso o Partido dos Trabalhadores, conseguisse, em estreita aliança com o patronato, na chapa Lula da Silva e José Alencar, chegar à presidência da Republica em 2002.
Em uma aliança, capital e trabalho, um dos dois haveria de sobrepor-se e o que se teve foi a sobreposição dos interesses do capital sobre os do trabalho. Essa política de capitulação levada a cabo pelo PT e o PCdoB seria inexequível, caso a mudança de foco do PT não fosse acompanhada de uma mudança similar na CUT. O governo petista necessitava de um sindicalismo chapa branca, um sindicalismo governista pronto a resguardar os encaminhamentos do novo governo dentro dos interesses do sistema vigente.
Dessa forma, em lugar do velho peleguismo, instalou-se o neopeleguismo, hoje representando não só pela CUT, mas por outras centrais sindicais incluindo-se nesse vil papel a UNE e a UBES, tuteladas pelo PCdoB. Trata-se de uma situação adversa, e desconstruí-la é um dever de todos nós que pretendemos a superação do atual sistema socioeconômico e a construção de uma nova ordem econômica e social.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A MISÉRIA ASSISTIDA



            Há uma diferença abismal entre marxistas e cristãos, diante da pobreza e da miséria. Enquanto os cristãos buscam administrar a miséria promovendo campanhas assistencialistas que tornem a vida dos deserdados menos cruel, os marxistas têm como proposta a erradicação da pobreza e da miséria atacando a causa. Os cristãos, por mais de dois milênios, levam a cabo várias campanhas do tipo: a sopinha dos pobres, cobertor para os desvalidos diante do impiedoso frio, albergue para os desamparados e outras iniciativas do gênero que, se servem para minorar o sofrimento imediato de uma pequena parcela da população carente, servem muito mais para assegurar às almas caridosas, uma compensação na “vida eterna”.
            Os gestos caridosos dos cristãos têm permitido que alguns deles galguem a posição de santos no reino celestial, numa prova concreta de que investir na miséria, torna-se pelo prisma religioso, um bom investimento para quem o pratica. Enquanto isso, os marxistas preocupam-se com a desconstrução do sistema capitalista como causa da pobreza e da miséria. Mas eles, os marxistas, não pretendem salvar o povo de suas agruras e, ao invés de sopas, cobertores, albergues, preferem ministrar doses maciças de conscientização, pois entendem que a humanidade só pode se livrar das chagas sociais que se abatem sobre a pobreza e a miséria, quando a massa de explorados e oprimidos tomar consciência de que seus sofrimentos só podem ser abolidos a partir da ação libertadora dos próprios explorados.
            “A obra de libertação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores” ou não haverá libertação. A postura do petismo e de outros demagogos, vai no sentido de buscar administrar a pobreza e a miséria e dela tirar dividendos políticos, como é o caso da campanha Bolsa Família. Daí, a indecente colocação dos candidatos petistas que se propõem, demagogicamente, “cuidar do povo como Lula ensinou”. Isso é sumamente imoral, e é assustador que essa posição política, de caráter demagógico e paternalista,  seja assumida por pessoas que no passado recente se reivindicavam socialistas revolucionários.
             Essas questões, e tantas outras têm que ser refletidas sob pena de nos afundarmos, como tem acontecido diante do discurso falacioso verbalizado pela esquerda direitosa tão bem representada pelos partidos PT-PCdoB-PSB.