terça-feira, 22 de novembro de 2011

Câmara entrega título de Cidadão a Gilvan Rocha

http://www.opovo.com.br/app/opovo/politica/2011/11/22/noticiapoliticajornal,2339733/camara-entrega-titulo-de-cidadao-a-gilvan-rocha.shtml

Fábio Lima

O escritor e militante socialista Gilvan Rocha, 69 anos, receberá hoje à noite, às 19h30min, na Câmara de Vereadores, o título de Cidadão Fortalezense. Nascido em Limoeiro, município da região metropolitana de Recife, ele se diz “apaixonado” pela cidade que o homenageia, por proposição de Toinha Rocha (Psol), quando exercia mandato em substituição ao titular João Alfredo (Psol), que endossou o pedido na volta ao Legislativo.

Gilvan lembra que em sua chegada a Fortaleza, em março de 1965, em decorrência de perseguição por motivos políticos que vinha sofrendo em Pernambuco, teve a sorte de conhecer duas pessoas fundamentais: Ester Barroso e Valton Miranda. “Ester, inclusive, é minha companheira até hoje”, diz.

Cerca de nove anos depois, descoberto, obrigou-se a deixar Fortaleza. Lembra ter passado pelo Maranhão, São Paulo, Argentina e Portugal, onde vivenciou a turbulência da Revolução dos Cravos até que veio a possibilidade de retorno ao País, voltando a residir na capital cearense.

Hoje filiado ao Psol, tendo sido um dos fundadores do partido, também integra o grupo que criou o PT, no início da década de 80. Entre uma e outra filiação, teve período vinculado ao PSB. “Sou muito grato pela homenagem”, disse Gilvan, que já se entende fortalezense. “Sou daqueles que abre a janela e, quando está chovendo, diz que o tempo está bonito”, sorri.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

POR QUE O ÓDIO?



            Um fato que muito me impressionou foi observar que as massas populares, regra geral, nutrem repulsa a tudo que dizia diz respeito ao COMUNISMO. Na eleição de Barack Obama era comum a campanha raivosa do Tea Party acusando Obama como membro, às escondidas, do “Partido Comunista”. É assombroso saber que uma grande parcela da população norte-americana respondia com aceitação a uma propaganda tão descabida, tão horrenda. Afinal, o senador Barack Obama apresentava-se como candidato a Presidente da República e possuía um currículo qualificado para exercer a sua liderança, rumo à sustentação do capitalismo em todas as suas formas.
            Assim, vem a pergunta: por que tanto ódio ao comunismo? Responder simplificadamente, que esse ódio provinha da propaganda levada avante pelo imperialismo é, apenas, uma mentira. Basta lembrar que a Santa Madre Igreja, conseguiu arregimentar milhares de pessoas para combater uma presumida violação do Santo Graal.
            Naquele momento não existiam a mídia eletrônica e impressa em tão alto nível. Daí persistir a pergunta: por que tanto ódio, se a força provinha, tão somente, da propaganda? E a resposta continua: o sistema da época não dispunha de tanta força de propaganda como dispunha agora para fazer o povo odiar o comunismo.
            E aí? Como resolver a questão? A resposta consiste em considerar que a mentira anticomunista não estava totalmente desprovida de inverdades. O stalinismo, produto da derrota do socialismo diante do imperialismo, trouxe um fenômeno histórico que pode ser considerado o de maior consequência para a humanidade.
            Não bastasse o stalinismo ter destruído milhões de vidas, não bastasse ter desagregado a economia agrária-industrial, ter reduzido um povo a fome, ter edificado os campos de concentração para executar dissidentes de direita ou de esquerda, apunhalou o processo da revolução socialista mundial, como foram exemplos: o vicejar do nazi-facismo, o apunhalar da revolução espanhola e para fechar tão lúgubre lista de crimes: temos o genocídio do Camboja.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

PENA DE MORTE




            Mais uma vez, diante da violência crescente, foi feita uma pesquisa de opinião pública procurando saber se os brasileiros aprovariam ou não a pena de morte. A metade aprovou essa medida. Pretender diminuir a violência lançando mão de um expediente tão extremo como a pena de morte está errado. Países como os EUA em que grande parte do seu território adotaram e adotam a pena de morte não conseguiram resolver o problema da violência. Por sua vez, a questão que deve ser tratada com todo cuidado, está ligada ao fato de que a nossa sociedade capitalista é dividida entre ricos e pobres.
            Os ricos quando matam, roubam, esfolam têm para defendê-los os mais habilitados e prestigiados advogados e, dessa forma, muitos deles não chegam sequer a ser presos. Enquanto isso, os pobres, por não disporem de bons instrumentos de defesa, são condenados até mesmo inocentemente.
            Assistimos, frequentemente, aos vários programas policiais em que o apresentador, exibindo uma falsa valentia, mostra gente pobre em seus programas e os agride com palavras cruéis de acusação, praticando intoleráveis cenas de humilhação. Duvidamos que esses apresentadores, alguns deles até eleitos deputados, ergam a sua “bravura” contra bandidos da estirpe da quadrilha Sarney, do Sr. Paulo Maluf, Jader Barbalho, Michel Temer, Romero Jucá e de tantos importantes pilantras.
            Quando alguns desses criminosos de colarinho branco foram presos pela Polícia Federal e algemados, tiveram suas fotografias exibidas nos jornais, a própria presidente da república, a Sra. Dilma Rousseff, veio a público, indignada, censurar de forma veemente a Polícia Federal que havia algemado e exposto esses ricos senhores. A Sra. Dilma Rousseff, que um dia foi presa e torturada, não haverá de vir manifestar sua censura ao apresentador policial Luis Datena pelos seus gestos de pouco apreço pela massa do povo pobre.
            Pelo que foi posto, somos contra a pena de morte.


terça-feira, 8 de novembro de 2011

A boa briga

Vivemos um mundo de visíveis desigualdades. Uns são ricos, outros riquíssimos, muitos medianamente aquinhoados, a imensa maioria de pobres e, por fim, temos um relevante numero de miseráveis que são aqueles que sequer têm o direito de ser pobres. Esse mundo de desigualdade responde pelo nome de capitalismo. O capitalismo é a causa das mazelas sociais, como os baixos salários, desemprego, violência, corrupção, fome, miséria... Esse sistema de desigualdade faz com que nossa vida seja feita de brigas permanentes. A todo dia brigamos pela sobrevivência, brigamos por saúde, escola, segurança e até por governos menos ruins, isso por que, no capitalismo, o máximo que se pode ter são governos menos cruéis, uma vez que governo nenhum, dentro desse  sistema, haverá de garantir a justiça, a paz e a bonança. É aquela velha história: o inferno não deixará de ser infernal mudando apenas o diabo de plantão, o inferno é infernal por definição.
A briga diária é o pão nosso de cada dia e dela não podemos nos afastar. Mas ela é a briga menor, é a briga de resistência a voracidade do capitalismo. Precisamos, porém, nos engajar na briga maior, na briga contra o sistema, pois, a permanecer esse sistema, toda nossa luta haverá de ser em vão.
Na visão menor de muitos de nós, todo mal advém do prefeito corrupto, incompetente, insensível e toda nossa fuzilaria deve ser dirigida contra ele. Muito bem! Mas será que um prefeito honesto, competente e sensível irá acabar com a desigualdade social, com a injustiça, com a violência? Claro que não! O inferno continuará infernal mesmo que tenhamos um “diabo camarada”. Portanto, é hora de parar para pensar e, sem colocar de lado a luta contra o prefeito corrupto, incompetente, insensível , levar avante a boa briga, a briga clara e ostensiva contra o grande inimigo da humanidade que é sistema capitalista, cujo único propósito é a busca do lucro para uns poucos, enquanto o mundo marcha celeremente para a destruição, levando-nos a concluir que: ou a humanidade destrói o capitalismo ou o capitalismo destrói a humanidade.
Façamos, então, de cada um de nossos sindicatos uma trincheira de luta contra todas as formas de injustiças e cerremos fileiras tanto na briga menor quanto na briga maior e, assim, faremos a boa briga.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

TECNOCRACIA



            No governo exercido pelos militares para defender os interesses da burguesia, uma corrente liderada pelo Delfim Neto, dizia que se deviam afastar os políticos de carreira e instalar quadros aptos, técnicos-cientificamentes. No olhar dessa gente, os problemas sociais, deveriam ser tratados por pessoas aptas para a tarefa específica que pretendíamos. Exemplo: tem-se o problema da malha viária, então busca-se alguém dotado de conhecimento especial para resolver essa questão. Fosse o problema de natureza agrária, se buscaria alguém apto a resolvê-lo. Com muito rigor seriam escolhidos verdadeiros “gênios” no trato das questões econômicas e financeiras.
            Dessa maneira, atingir-se-ia dois objetivos: um, era se livrar dos politiqueiros; outro, era pôr em lugar desses, uma legião de técnicos e cientistas. Assim, estaria posta uma sólida tecnocracia dotada de competência, honestidade e dedicação, uma vez que esses tecnocratas escolhidos “livremente” pelas pontas das baionetas tinham “amor” e zelo à causa capitalista.     
            Os “socialistas”, que propagavam um mundo capitalista decadente e um mundo socialistas ascendente, ficaram sem discurso diante da queda do muro de Berlim. No vazio, floresceu o “marxismo legal” transitando pelas dependências das academias, recebendo seus pecúlios e privilégios.
            Formaram-se grupos em torno da disputa por vantagens e, raramente, por razão de diferenças teóricas. Não escrevem eles para o vulgo, a quem abomina. Estão sempre voltados para os seus umbigos.
            Assim, vem se comportando a velha esquerda, particularmente os trotskistas. Não lhe importa o acúmulo conquistado por alguém nas suas andanças, embates, leituras e polêmicas. O que importa é o nível de qualificação acadêmica. O assunto é transporte? Busque-se entre os doutos e eles derramarão várias teorias que deveriam ser praticadas pelos diferentes governos. Não proclamam a necessidade de um novo sistema sócio-econômico. Propõe apenas governos de perfis tecnocráticos, livres da gentalha dos políticos gatunos e dessa forma os capitalistas ver-se-iam livres do alto custo que representa as propinas desembolsadas na forma de corrupção.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

MENTES CORROMPIDAS




            Geralmente quando empregamos a palavra corrupção nos vem logo à mente o roubo, o desfalque e toda sorte de má conduta. Poucos são os que observam que a corrupção de nossas mentes tem raízes muito mais profundas do que aquelas diretamente responsáveis por tantos crimes ostensivamente praticados e tão visíveis.
            Para esse processo de corrupção, não perceptível, ou seja, nunca observado, é que se cria uma cultura calcada em preceitos falsos e, às vezes, sutilmente mentirosos.
            Tomemos um exemplo para desenvolver esse nosso raciocínio que tem por objetivo denunciar o caráter mais profundo do processo de corrupção. Comecemos por tratar de um dos postulados de nossa cultura que dá sustentação jurídica, e não só jurídica, para que possa repousar impunemente essa imoralidade que é a existência de um sistema capitalista que, se outrora, foi revolucionário e progressista, hoje, exaurido, tornou-se uma impiedosa força contrária aos interesses maiores da humanidade.
            Tratemos da Constituição Federal, tratemos da idolatrada e festejada Carta Magna, e lá vamos encontrar o ponto de partida da edificação de um conjunto de conceitos cujo objetivo é sacramentar uma corrupção quase imperceptível.
            Lendo nesses dias um texto que dava sustentação a uma sentença jurídica, o senhor magistrado expôs, de forma bem contundente, que a sua condição de operador do direito, fazia com que ele usasse de todas as suas atribuições para consagrar o princípio sagrado da propriedade privada.
            Eis aí, senhores, a essência da nossa festejada Carta Magna. É nesse conceito, considerando a propriedade privada um direito intocável, que se apóia toda uma composição de outros conceitos. Eles se tornam legítimos e ao mesmo tempo, corrompem o verdadeiro conceito de justiça. Esta, deveria apoiar-se na propriedade social dos meios de produção e nunca num princípio que assegura a desigualdade social e, por conseguinte, as inúmeras mazelas em que vivemos, a partir da desigualdade produto que a propriedade privada dos meios de produção nos impõe.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

“CÉU DE BRIGADEIRO”

Em artigo publicado no jornal O POVO em 11/10/2011, sob o título “A responsabilidade dos bancos”, o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Ceará, levanta o seguinte argumento: “enquanto o sistema financeiro internacional atravessa momentos de crise, os bancos brasileiros navegam em um céu de brigadeiro. Somente no primeiro semestres desse ano o lucro cresceu 20% entre as sete maiores instituições bancárias, com ganhos que ultrapassam os 26 bilhões”.

A colocação do presidente da CUT do Ceará é de uma infelicidade suprema. Primeiro ele ressalta o fato de que os capitalistas em geral, e os banqueiros em particular, têm usufruído da maior tranquilidade para obter lucros gigantescos. Ai, cabe uma pergunta: quem garantiu esse céu de brigadeiro aos capitalistas? Quem assegurou tanta tranquilidade para que eles obtivessem tantas vantagens em situação de paz? A resposta é clara. O Partido dos Trabalhadores, quando lançou a “Carta ao Povo Brasileiro”, em 2002, assegurou que administraria os negócios do capitalismo sem que houvesse turbulência.

Ao preço módico de 13 bilhões de reais, metade do lucro de um semestre das sete maiores casas bancárias no Brasil, o PT promoveu um amplo trabalho de cooptação dos miseráveis com o Bolsa Família, que se transformou num amplo colégio eleitoral sobre o qual o PT tem sabido tirar proveitos políticos. Por seu turno o governo petista soube cooptar as centrais sindicais e estudantis, com propinas razoáveis, e, dessa forma, cumprir o prometido de não permitir tensões sociais e assim garantir plena tranquilidade para a burguesia implementar seu vantajosos negócios.

Um dos horrores políticos a ser destacado, consiste no fato de que o argumento do presidente da CUT – Ceará, pretendendo defender os bancários tenta sensibilizar os banqueiros sob o piedoso argumento de que eles já ganham tanto e assim deveriam agradecer esse exorbitante privilégio cedendo uns poucos reais para cumprir a pauta de reivindicação dos trabalhadores bancários. Isso é uma vergonha.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Estado democrático de DIREITA




            O Estado é um instrumento político de dominação de uma classe sobre outra. Por centenas de anos, a sociedade humana desconhecia a existência de Estado. Isso pelo simples fato de que durante tantos milênios não existiam classes e camadas sociais. Somente com o aparecimento da propriedade privada, surgiu a divisão da sociedade entre possuidores e despossuídos e, assim, surgiu essa instituição chamada ESTADO.
            Vê-se, claramente, que se trata de uma instituição bem recente se considerarmos a história do gênero humano. Poderíamos dizer que a existência do Estado, esse instrumento de poder, beira a casa dos dez mil anos. Trata-se, pois, de pouco tempo.
            De forma simplificada, poderemos dizer que existiu primeiramente o Estado escravagista, que durou cerca de cinco mil anos; depois o Estado feudal, cuja forma mais avançada foi o absolutismo; tivemos o Estado asiático com suas peculiaridades e, por fim, o Estado capitalista.
            Em todos esses momentos históricos, o Estado teve como objetivo assegurar os privilégios de uma minoria de ricos em prejuízo da maioria dos despossuídos. O Estado capitalista, esse que nós vivemos, apresenta-se sob duas roupagens: a primeira é chamada: Estado Democrático de Direito, quando o justo seria chamar Estado Democrático de Direita, pois a sua finalidade é manter a desigualdade social. A outra roupagem é o Estado de exceção, conhecido popularmente por ditadura e ele só se aplica quando não é possível conter o descontentamento popular por meios pacíficos. Tanto uma forma como outra de Estado capitalista tem como finalidade a preservação da desigualdade social e a defesa dos ricos. É evidente que o chamado Estado de Direito aposta no convencimento e, por essa razão torna-se uma maneira mais segura de manter a dominação capitalista. Já o Estado de exceção, a ditadura, lançando mão do chicote, para manter esse mesmo sistema, não é o modelo ideal de dominação. Sobre o Estado essa é a lição que devemos ter clara; o resto é engodo, é mentira, é enganação.