segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Violência. Questão de Governo?



Violência. Questão de Governo?
                                                                                                                            
                Alagoas, governado pelo PSDB, mostra-se o Estado da Federação com o maior índice de violência contra a pessoa. O Ceará, governado pelo recém- criado PROS, é o terceiro na escalada da violência. São Paulo, reduto do PSDB, é a expressão maior desses desacertos. Enquanto isso, Brasília, ou melhor, o Distrito Federal, governado pelo PT, exibe alarmantes índices de homicídios e outros crimes violentos.

            Será que esses fatos não nos autorizam a compreender que a violência é algo acima dos diferentes governos? Não dá para concluir que, acima de PT, PROS, PSDB, PMDB, existe o capitalismo com as suas desigualdades e flagrantes injustiças? Por que, então, nos prostrarmos como répteis rastejantes, presos a questões infundadas e tão reduzidas, quando enfrentamos esse grande problema chamado violência? Não seria de melhor alvitre nos pôr a questionar a essência do problema, e não nos atermos às questões secundárias, periféricas? De onde vem o dinheiro gasto pelo PT, do Delúbio, do Genuíno, do Zé Dirceu, do Palocci, senão próprio de um sistema socioeconômico exaurido e encharcado de vícios, sempre pronto a distribuir propinas aos que lhes servem?

            Eis, nesses questionamentos, o caminho para exercitarmos o nosso pensar, as nossas reflexões e, dessa forma, não nos deixarmos continuar sendo enganados. Não há como explicar tantas chagas sociais, que vão da fome à favela, à prostituição, às drogas e, também, à violência, caso nos neguemos a enxergar que todas essas mazelas têm uma só fonte, uma só causa, que é, como já dissemos, um capitalismo exaurido, pronto a praticar e permitir que se pratique os mais hediondos crimes, destacando-se, dentre eles, a cruel agressão ao meio ambiente.

            Devemos levar em conta uma lição elementar. A alma do capitalismo é a busca incessante do lucro e, nessa busca, ele atropela os interesses maiores da humanidade. A busca desvairada pelo lucro é a essência desse sistema que deverá ser, urgentemente, desconstruído como uma única forma de salvar a humanidade de um desfecho completamente trágico.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Dinheiro para Delúbio



Dinheiro para Delúbio

            Há muito tempo, o Partido dos Trabalhadores, tem se mostrado muito rico. Intrigante foi o episódio em que essa agremiação, para conquistar a confiança do grande capital, comprou, em moeda corrente, a participação de um destacado capitão da indústria, o sr. José Alencar, na chapa de Lula, à presidência em 2002. Na condição de candidato a vice-presidente, José Alencar dava o seu aval às pretensões petistas de chegar ao governo. Essa operação custou ao partido a “bagatela” de dez milhões de reais. Mas não é só aí que se expressa a riqueza dos cofres petistas. Examinemos a campanha de Fernando Hadad em torno da disputa pela Prefeitura de São Paulo. Os recursos do PT foram muito maiores do que os do candidato do “neoliberalismo”, José Serra.

            De onde vem tanto dinheiro? Seria dos cofres da CUT? Seria da obsequiosa generosidade das empreiteiras? Não é estranho o trabalho comprar o capital? E de onde fluem as generosas doações dadas a Genuíno e Delúbio para o pagamento de suas dívidas para com a justiça?

Não é honesto argumentar que a dúvida sobre a citada “arrecadação solidária” ao Delúbio, tendo partido de um “suspeito” ministro do STF, torna a indagação inválida. Trata-se de dúvidas que afligem todos nós e elas precisam ser respondidas com toda transparência possível. Afinal, como um partido de trabalhadores pode se mostrar tão opulento? Será que não existe algo nebuloso em tudo isso?

            As arrecadações, fartas e generosas, para os delinquentes petistas, continuam acontecendo. Por tudo que se sabe não são doações de operários, cujos valores corresponderiam aos minguados recursos despejados nas sacolinhas das paróquias. Seria muita ingenuidade imaginar que, em questão de horas, seja possível arrecadar tantos recursos, caso essa arrecadação se desse no seio das massas populares. Mas, cogita-se de que, tendo o PT uma legião incontável de militantes em cargos em comissão, toda a manobra arrecadatória deu-se através da contribuição “espontânea” desses comissionados. Trata-se, evidentemente, de uma hipótese, entretanto ela não deve ser descartada.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Profissão: marxista




Profissão: marxista

            O discurso dos dois mundos, um socialista ascendente e outro capitalista decadente sucumbiu, dando lugar à profissão de “marxista”. Mas como isso se deu? As postulações socialistas foram derrotadas em 1912/13, quando, no confronto entre o discurso de defesa da pátria e o que propunha transformar a guerra imperialista em insurreições socialistas, o primeiro triunfou e os partidos operários, regra geral, foram convertidos em agremiações social-patriotas. Porém, essa vitória burguesa não foi completa, naquele momento, pois se deu a Revolução Russa, em 1917 e, com ela, nasceram as esperanças de que o processo de derrota fosse revertido.

            Isso não ocorreu e a contrarrevolução se instalou no seio da República Soviética, produzindo o fenômeno do stalinismo. Para se consolidar, a contrarrevolução tinha que promover o sepultamento da teoria socialista. Essa tarefa exigiu a criação da Academia de Ciência da URSS e, através dela, foi cunhada a expressão “marxismo-leninismo”. A primeira medida no sentido de sepultar o socialismo foi a substituição do princípio da luta de classes pela contradição entre nações opressoras versus nações oprimidas. Junte-se a isso, a formulação da tese da “construção do socialismo em um só país” e a nomeação da URSS como a “pátria mãe do socialismo”, propondo-se que tudo deveria ser feito em nome dos interesses do Estado soviético.

            Desmoronado o discurso dos dois mundos, ficaram os “marxistas-leninistas-trotskistas” sem discurso e é nesse vácuo que se firma o “marxismo legal”, acadêmico, como profissão bem remunerada, gozando de prestígio e benesses.
            Esses “marxistas” profissionais não se prestam a esclarecer o que foi a Revolução Russa, ou a chinesa, ou a cubana, ou a Guerra Civil na Espanha, ou a criminosa tese do caminho pacífico para o socialismo, que redundou, entre outros trágicos episódios, nos golpes de 1964, no Brasil; de 1965, na Indonésia; e o de 1973, no Chile.

          Não, esses senhores “marxistas” se embrenham no subjetivismo e se negam, escandalosamente, em se envolver nas questões políticas presentes e passadas. Não é por acaso que os “marxistas” profissionais, remunerados pelas academias, têm merecido da burguesia tratamento “respeitoso” e benevolente. Essa profissão está muito mais para o charlatanismo do que para o exercício real do conhecimento que tanto necessitamos, pois tanto nos aflige.

http://gilvanrocha.blogspot.com/2014/02/profissao-marxista_19.html


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Alternância no Poder?

Alternância no Poder?
Gilvan Rocha

            A burguesia domina o mundo através de mentira política. Dentre elas, está essa lorota de que, na democracia burguesa, existe alternância de poder. Já dissemos que o poder não é rotativo, o que é rotativo são os governos. Esses governos representam propostas de políticas econômicas. Enquanto isso, o poder representa a própria natureza da economia o que, no nosso caso, é a economia capitalista.

            Uma pergunta torna-se pertinente: onde estão os cientistas políticos, daqui e dali, que não denunciam essa grotesca fraude, que confunde governo com poder? Onde estão os “marxistas-leninistas” que não protestam contra esse embuste da cavilosa burguesia?

           Temos dito que as tão veneradas universidades, no capitalista, têm dois objetivos precípuos. O primeiro deles é formar técnicos e cientistas que deverão prestar seus serviços ao sistema. Lembremos que o bombardeio atômico de Hiroshima e Nagasaki, não teria sido possível, não fosse o empenho e a eficácia de técnicos e cientistas, provindos das academias e bem remunerados. O segundo objetivo das universidades é formar ideólogos para bem servirem às classes ora dominantes, defendendo conceitualmente, a ordem estabelecida.

            A burguesia, repetimos, ampara-se no império da mentira. Algumas delas têm raízes milenares. Outras são mais modernas. Existem aquelas produzidas pela grande Revolução Francesa que, ainda hoje, povoam a cabeça dos chamados políticos progressistas e de seus inúmeros bacharéis, mestres, doutores e pós-doutores. Dessas mentiras modernas destaca-se uma pérola, o famoso “Estado de Direito”. Ora, no capitalismo, o Estado é o guardião da ordem socioeconômica vigente e, assim sendo, não passa de um Estado de direita, conservador.


            O estado burguês apresenta-se de duas formas: o estado de exceção, chamado de ditadura, e o Estado de Direito, dito democrático e isso é, do ponto de vista da sua essência, um falso conceito e ele faz a cabeça da maioria dos intelectuais, inclusive os ditos “marxistas-leninistas” e “marxistas-leninistas-trotskistas”.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Um técnico muito esquisito

Um técnico muito esquisito
                                                                                          (*) Gilvan Rocha
                     
                  Imaginemos uma situação bastante maluca, maluca mesmo. Imaginemos que um determinado time de futebol, foi jogar e perdeu de goleada. A imprensa esportiva chama o técnico, da equipe derrotada, para uma entrevista e lhe pergunta da razão de tamanho insucesso. Pergunta também se ele teria algumas observações a fazer em relação ao desempenho da equipe que ele colocou para jogar. Surge  uma grande surpresa quando o aludido técnico responde: não temos nenhum  reparo a fazer quanto ao desempenho do nosso heroico  time. Jogamos bem, e muito bem, nos esforçamos ,cumprimos o nosso papel. Vejam vocês que o nosso adversário foi o grande responsável pela nossa derrota. Quando tentávamos penetrar em sua área eles rechaçavam com todo vigor. Por outro lado, traidoramente, eles se aproveitavam dos descuidos de nossa heroica defesa e logravam fazer, um, dois, três, quatros, cinco, seis tentos. Dessa forma podemos afirma que a culpa do nosso insucesso deveu-se  ao inimigo, pois ele não colaborou para o nosso projeto.
                  Isto  seria apenas uma grotesca piada, mas é justamente assim que se comportam os dirigentes da ‘’esquerda marxista- leninista – trotskista’’. O golpe contrarrevolucionário na Indonésia, em 1965 ,deveu-se ao sinistro papel que jogou o imperialismo. O mesmo aconteceu no golpe contrarrevolucionário no Brasil em 1964. Aí, mais uma vez, o inimigo se prestou a inviabilizar o nosso objetivo, e isso foi denunciado com toda veemência no livro ‘’ O golpe nasceu em Washington’’. No Chile, em 1973, o governo democrático de Salvador Allende  teve sua experiência ‘’ socialista’’ interrompida, graças à cruel  intervenção da CIA . Por sua vez o projeto socialista em Cuba não tem o desfecho desejado porque o inimigo, mais uma vez, procura impedir o nosso sucesso, levando à prática o bloqueio econômico daquela pequena e brava ilha, que não se dobra ao imperialismo ianque.

                Enfim, o capitalismo exaurido, vivendo sucessivas crises econômicas e financeiras, goza da mais completa hegemonia politica, isso porque o capitalismo, segundo ‘’ os doutos ‘’ que brotam das academias, afirmam que esse sistema tem uma capacidade infinda de se reinventar. Então, a sobrevivência desse sistema socioeconômico, deve-se à sua própria competência e não podemos nos considerar  culpados, afinal ‘’o marxismos- leninismo’’, através de seus partidos e movimentos, são infalíveis, o inimigo é que não contribui. Isso é a expressão maior da cretinice politica 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

VERDE, UM BOM NEGÓCIO!

VERDE, UM BOM NEGÓCIO!
           
            Certo “marxista-leninista” da nossa província, publicou um artigo: Elite burra. Referia-se a burguesia. Assim sendo, a verdade é o contrário.
            A burguesia nasceu do ventre do feudalismo e evoluiu enfrentando todos os tropeços, conquistando suas vitorias. Ela soube estabelecer uma aliança com a monarquia para conquistar o absolutismo de importância vital para o seu desenvolvimento.

            Através de uma dúzia de talentosos intelectuais construiu um projeto de nova ordem econômica e social, capaz de garantir o avanço da humanidade. Conseguiu promover a sua revolução e a fez em caráter radical, como foi o caso da Revolução Francesa. Conquistado o poder, liderando as massas trabalhadoras tratou de consolidá-lo à duras penas. Conduziu com sabedoria a guerra imperialista e nela derrotou o projeto socialista do internacionalismo proletário e impôs a existência de uma esquerda direitosa, distanciada das postulações revolucionárias e defensora do social-patriotismo. Soube sufocar seus opositores e reduzi-los em guetos. Entrou em conluio com os países indevidamente chamados de socialistas e os faz seus aliados de forma que o mundo fosse divido em áreas de influência, sem que ela, a burguesia, perdesse a hegemonia política mundial.

            Vê-se que a “elite” soube cumprir seus deveres de casa, enquanto a esquerda direitosa afastou-se, quilometricamente, dos princípios revolucionários para adotar uma sequência de dogmas, negando todos os princípios da causa socialista.


            Tudo a velha burguesia procura transformar em “bom negócio”. Hoje está em pauta a defesa do meio-ambiente e logo eles aderem de malas e bagagens e muitos deles transformam essa bandeira em rentáveis empreendimentos. O capitalismo verde tem em Marina Silva uma expressão de poder político, enquanto a esquerda direitosa, mal informada, limita o seu discurso ao empenho de construir uma cultura de preservação do meio-ambiente, sem responder ao fato de que o grande predador do planeta é o capitalismo, e é contra ele que devemos apontar as nossas armas. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

“Brasil - um país de todos”

“Brasil - um país de todos”

Estávamos diante da televisão quando se repetiu, pela milésima vez, o slogan do governo Lula: “Brasil um país de todos”. A compositora e sambista Adelitta Monteiro não conseguiu conter a sua indignação. Disse ela na ocasião: “é muito descaramento, é muito cinismo dizer que o Brasil é de todos. Ora, de quem são as terras do Brasil? De quem são os bancos endinheirados? De quem é o agronegócio? De quem é o grande comércio? De quem são as minas e os minérios senão da burguesia fartamente enriquecida? Para a grande maioria, mais das vezes, não resta nada além de uns palmos de terra que um dia lhe servirão de removível sepultura e ainda têm a desfarçatez de proclamar que esse Brasil, cantado em prosa e versos, nos pertence.”

Isso é fazer a massa de trabalhadores, estudantes e donas de casa de idiota. Isso mesmo. Desde cedo a velha burguesia, usando os mais diversos instrumentos, trata de nos transformar em idiotas políticos para assim poder perpetuar seus privilégios.

Sendo assim, cabe-nos um só caminho: desfazermo-nos das ilusões, das mentiras tão bem plantadas em nossas cabeças. Temos que abrir os olhos, e nos tornar gente consciente e, isso significa enxergar que esse imenso Brasil, “a pátria amada”, tem seus donos e que não passamos de despossuídos. É bem verdade que alguns milhões de deserdados recebem migalhas através de campanhas compensatórias - tipo “Bolsa Família”, que serve muito bem para evitar tensões sociais e comprar o apoio dos desvalidos.


Não tínhamos como discordar da nossa querida compositora e sambista cuja indignação motivava-a compor mais uma de suas peças de samba que havemos de vê-la cantar para afugentar a desinformação e o deboche que eles não têm nenhum pejo em exercitar. Somente e tão somente, quando o povo trabalhador, o letrado ou iletrado, quebrar as amarras da alienação e se transformar em uma massa de gente consciente é que podemos dar uma virada histórica e proclamar: “Brasil, um país de quem trabalha” inserido num mundo de iguais, de justiça e paz.  

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A arte de escamotear

A arte de escamotear
                                                                                                                     Gilvan Rocha 

            A verdade é revolucionária, já se disse. Por essa razão, existe um constante empenho, por parte da burguesia, para que a verdade política não seja desvelada. Ela tem a imperiosa necessidade de escamotear e, para tão perversa tarefa, conta com os solícitos préstimos da esmagadora maioria daquilo que se convencionou chamar de esquerda e que, hoje, no Brasil, responde pelas siglas PT, PCdoB, PSB, PDT...
            Há alguns dias, o país ficou estarrecido diante da brutalidade de um crime crudelíssimo. Um menino de seis anos foi arrastado por sete quilômetros, preso a uma viatura conduzida por três assaltantes. Pós o episódio, vieram os debates. Psicólogos, sociólogos, e outros especialistas derramaram suas opiniões a respeito do ocorrido. Um ponto nessa discussão foi ressaltado – a maioridade penal – pois, sempre é dito que a violência reinante é fruto da impunidade e, assim, o poder legislativo apressou-se em aprovar algumas medidas que tornam a execução penal mais rigorosa.
            Discute-se, pois, as causas acessórias da violência, mas evita-se discutir a verdadeira causa. Não se diz que a violência crescente é filha de uma profunda desigualdade social. Não se fala que vivemos numa sociedade cujo objetivo maior é a busca do lucro para uns poucos. Não se faz a denúncia do capitalismo como causa maior da violência.
             O que esperar de uma juventude sem perspectiva, fustigada pela propaganda que diz ser bem sucedido dirigir um possante carro, pilotar uma moto, vestir roupas de grife, não importando como tais coisas são adquiridas?

             Vimos que toda discussão suscitada em decorrência do tão brutal episódio ficou na superfície. Mais uma vez a verdade foi escamoteada e as soluções apontadas são meras maquiagens. Limitar-se em ficar na periferia dos problemas, sem ir a fundo, é um comportamento que, além de equivocado, representa uma marcha para o suicídio social, uma vez que o capitalismo, sem nenhum compromisso com a vida, tem olhos e ouvidos tão somente para o lucro e, para manter-se de pé a qualquer custo, produz sucessivas e profundas chagas sociais.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Cultura stalinista

Cultura stalinista
                                                                                                                           Gilvan Rocha (*)
                                                                                                                                              
Com a derrota da revolução socialista, em escala mundial, na década de vinte do século passado, surgiu um fenômeno político que recebeu o nome de stalinismo. É necessário deixar claro que esse fenômeno não foi criação de psicopatas, figuras diabólicas. Isso não! Ele foi produto de uma situação histórica, sem que se possa negar o papel de bandidos, traidores, traídos, heróis e mártires nesses processos.
O advento do stalinismo gerou situações absurdas. A primeira e a mais grave delas foi a de quer, derrotada a proposta socialista, colocou-se em seu lugar, a construção do capitalismo de Estado. Essa construção do capitalismo teve um custo social extremamente alto, e tudo foi feito sob os carimbos do socialismo e do comunismo.
Atropelando os princípios mais primários do marxismo, foi formulada a tese da “construção do socialismo em um só país”. Promulgada essa “sentença”, a URSS autoproclamou-se “pátria mãe do socialismo” e, concomitantemente, revogou todos os princípios da democracia política, legados pela revolução democrática burguesa. Estabeleceu o mais completo totalitarismo e passou a considerar todo e qualquer dissidente como “inimigo do povo”, “sabotadores”, “divisionistas”, “agentes do imperialismo” e outras acusações do gênero. Os dissidentes, enquadrados nessas acusações, de forma unilateral e arbitrária, eram perseguidos, presos, torturados e, muitas vezes, executados.
O Partido Comunista  russo autoproclamou-se “o povo eleito de Deus” e, todo aquele que não rezasse em sua cartilha, deveria ser jogado no “fogo do inferno”. Tudo se tornava justo em nome da “causa” da qual eles, os stalinistas eram, e ainda são, os mais fiéis representantes.
Esse quadro político permitiu que se criasse uma prática baseada nos mais torpes métodos. No começo, foram os famosos processos de Moscou e, depois, essa prática se espalhou mundo afora. Mentindo, caluniando, desqualificando e, sobretudo, conspirando em torno de projetos no sentido de conquistar eventuais aparelhos, sejam eles partidários, sindicais, institucionais, stalinismo institui a pratica da  má conduta

A lealdade e a retidão passaram a ser coisas da “moral pequena burguesa” e, assim, implantou-se um fazer  que revelava e revela a degeneração do proceder político, comportamentos próprios da contrarrevolução, cujo um dos pilares é o stalinismo nas suas mais diversas roupagens, inclusive o stalinismo-trotskismo.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Chegando ao poder

Chegando ao poder

            É corriqueiro ouvirmos o seguinte discurso: o PT era um partido de perfil socialista, mas, quando chegou ao poder, ele mudou. Primeiro, é necessário entender que chegar ao governo nada tem a ver com chegar ao poder. O poder é o Estado, e ele tem caráter permanente. Os governos existem para gerenciar, eventualmente, os negócios do sistema socioeconômico vigente que, em nosso caso, é o capitalismo. Temos dito, insistentemente, que governos vão e vêm e o sistema continua, em sua essência, o mesmo. Quando ocorre de algum governo entrar em conflito com o poder, ele é deposto. A História está repleta, quanto a isso, de exemplos.
            Feita essa observação, é fácil concluir que o PT não chegou ao poder, mas, tão somente, ao governo. Por outro lado, não é acertado dizer que ele mudou depois de conquistar sua vitória eleitoral. Isso não. O PT mudou para conseguir governar. Com esse propósito, publicou sua “Carta ao povo brasileiro” que, na verdade, era destinada ao grande capital. Nessa carta, o citado partido deixava claro que a burguesia não tinha de que ter medo, o leão era mansinho. Em seguida, o PT pagou muito caro, em moeda corrente, para ter um rico e insuspeito industrial na chapa de Lula, na condição de vice.
            Ao lado dessas providências, fez as suas promessas. Garantiu manter-se fiel ao Plano Real. Garantiu que o Banco Central haveria de ser dirigido por um banqueiro da confiança do capital financeiro internacional. Garantiu evitar comoções sociais, mantendo os trabalhadores imobilizados pelas centrais sindicais, fazendo o mesmo com as centrais estudantis.

            Dessa forma, o PT e seus assemelhados não mudaram quando conquistaram o governo, isso é preciso deixar bastante claro. O PT, pelas mãos de seus dirigentes, vendeu sua alma ao diabo e, nesse processo de triste capitulação, sobressaíram-se as figuras de José Dirceu, Luiz Gushiken, José Genuíno, Gilberto Carvalho, Delúbio Soares, Luís Pereira e outros trânsfugas, se é que esses senhores, algum dia, foram, de fato, socialistas revolucionários.