Em Fortaleza, os trabalhadores dos transportes coletivos estão em greve. No transcurso dessa greve, têm-se promovido algumas manifestações, como forma de legítima pressão no sentido de que a classe patronal aceite as reivindicações. Em uma dessas mobilizações, os trabalhadores foram reprimidos pela Guarda Municipal que ministrou seus golpes de cassetetes e sprays de pimenta com o objetivo de dispersar a manifestação.
Ora, como se sabe a prefeita de Fortaleza acumula também, a função de presidente do Partido dos Trabalhadores. Mas de que lado ela está? Do lado dos trabalhadores, ou como guardiã dos interesses da “ordem pública” que, em última instância, trata-se da ordem capitalista? Na condição de prefeita ela tem a função de dirigente do aparelho de Estado na sua forma municipal. Mas o Estado, diferente do que é dito, não é neutro diante da sociedade dividida em classes. O Estado é, isso sim, um instrumento em defesa dos interesses de uma só classe. No capitalismo temos o estado burguês, ou seja, um aparato a serviço da burguesia.
Assim como a prefeita, em termos locais, o Presidente da República tem a função de garantir os interesses das classes capitalistas e assegurar a “paz social” para que eles usufruam, sem atropelos, os seus vultosos lucros. Em escala nacional tais conflitos têm sido minimizados pela política de cooptação das Centrais sindicais e estudantis levada a cabo pelo atual presidente a troco de polpudas verbas.
Como pudemos observar, tudo é uma questão de escolha. Os partidos que optam pelo gerenciamento do capitalismo seja em nível paroquial, provinciano ou nacional, ele terá, forçosamente, que estar disposto a manter a “ordem” e, portanto, empunhar sprays, cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo, jatos d’água e outras formas usuais de repressão, além de efetuar prisões. Não dá para servir a dois senhores. Quem pretende servir à burguesia e aos trabalhadores, regra geral, termina por servir aos primeiros enganando a massa do povo.
Seguindo o baile
Há um ano
