sexta-feira, 5 de outubro de 2012

QUAL ELITE?



QUAL ELITE?
            Com grande dose de insistência, os petistas têm afirmado que a “elite” não se conforma em ver um metalúrgico ter sido presidente da nossa pútrida república. Em primeiro lugar, é necessário deixar bem claro, que não se tratava de um metalúrgico no Planalto. Luis Inácio da Silva, que um dia representou as classes trabalhadoras, quando líder sindical e fundador do PT, deixou de ser um metalúrgico para se converter, tanto de corpo como de alma, em confiável gerente dos interesses do capitalismo.
            O seu primeiro passo, no sentido de sua radical mudança de postura, deu-se quando publicou a sua famosa “Carta ao Povo Brasileiro”. Neste documento público, o ex-metalúrgico apresentou-se como alguém em quem o grande capital deveria confiar. Eleito presidente, Lula e o seu partido, fizeram todo o empenho, em cumprir à risca o que havia prometido a burguesia e ela não haveria de ficar insatisfeita com essa atitude.
            Diante disso, cabe-nos perguntar: qual elite não se conformava em ver Lula no governo? Seria a elite do capital financeiro, cuja encarnação é formada pelos banqueiros tão bem sucedidos nos governos petistas? Seria a elite do agronegócio, que tem acumulado vultosas fortunas nesses últimos anos de governo? Seria a elite da burguesia industrial, que tem resmungado e se mostrado descontente com a leve diminuição dos seus lucros? Mas não foi essa elite industrial beneficiada com a renúncia fiscal através da suspensão de cobrança do IPI, em alguns ramos de atividade?  Seria a elite do crime organizado, que tanto prosperou nesses últimos anos, os insatisfeitos com o aludido governo? Enfim, qual é mesmo a elite que não se conforma com a presença do lulismo?
            Essa questão deveria ficar mais clara e não encoberta por nuvem de fumaça, alimentada pelo petismo e seus asseclas, com o objetivo de que tudo fique nebuloso, que nada seja visto. É dever da verdadeira, porém diminuta esquerda, explicitamente anticapitalista, procurar desnudar a inconsistência e a falácia desse mentiroso discurso de que a elite se sente incomodada com o Lula e com o lulismo. Isso é uma desbragada enganação, e é bom que nos lembremos do reconhecimento público do líder maior do capitalismo mundial, sr. Barack Obama, quando se referindo ao ex-metalúrgico disse: “ele é o cara”.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

DIREITA? QUE DIREITA?



DIREITA? QUE DIREITA?
                É comum ouvirmos comentários de pessoas do PT e do PCdoB, nos seguintes termos: “é preciso cuidar, a direita está à espreita e quer voltar ao poder”. É claro, que alguns fazem esse comentário de boa fé. É claro, também, que outros o fazem de má fé.  Antes, devemos desfazer um erro.  Governo e poder são coisas diferentes. Como temos mostrado, governos vão e vem, enquanto o poder (o Estado), é permanente. Os governos têm, como função gerenciar, episodicamente, os interesses do capitalismo, ou seja, têm a missão de gerenciar a desigualdade. Quando determinados governos colidem com os interesses da burguesia, esses governos são depostos . Os exemplos são fartos e, dentre eles, temos, a ressaltar, o caso do governo João Goulart, deposto por um golpe de Estado, levado a cabo pela burguesia, que soube usar as suas forças policiais e militares.
                Fica evidente que o poder é o Estado e suas instituições. Sua função, no capitalismo, é preservar os interesses desse sistema. Os processos eleitorais não põem em disputa o poder, de fato. Não votamos para escolher o Estado Maior das Forças Armadas, nem para o judiciário.  Não escolhemos os que exercem funções, ditas como de Estado.  Feitas essas observações, voltemos à questão inicial que seria o perigo da direita. Cabe-nos formular uma pergunta: não serão componentes da direita fisiológica os senhores José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Romero Jucá, Michel Temer, Fernando Collor, Paulo Maluf...? Essa gente não é apenas de direita, como direita eram Ulisses Guimarães, Mario Covas, Franco Montoro, Tancredo Neves... Acontece, que esta direita tinha um perfil nitidamente ideológico, enquanto o primeiro grupo citado, tem a inequívoca marca do fisiologismo e, não foi com a direita ideológica que o petismo se entendeu, pelo contrário, foi com a escória da direita fisiológica que eles se mancomunaram. 
                 Como, diante desse quadro real de nossa conjuntura política, podemos imaginar que existe uma disputa entre direita e esquerda?  É evidente que existe uma acirrada disputa entre um setor da direita explícita contra outro setor de direita, representado, acentuadamente, pelos partidos PT, PCdoB e PSB, o que vem confundindo muita gente. Negar esses fatos significa querer tapar o sol com a peneira. O carimbo de esquerda só se aplica àqueles que, de forma explícita e direta, se colocam em oposição, não aos fortuitos governos, mas ao capitalismo. Isso sim, é usar, com todo rigor necessário, o conceito de esquerda, o resto é falácia.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

MELHOR EDUCAÇÃO?



MELHOR EDUCAÇÃO?
            Nessa campanha eleitoral de 2012, em torno da sucessão municipal, assistimos, dos mais diversos candidatos, a promessa de promover um trabalho eficiente que garanta uma educação melhor, um serviço de saúde melhor, uma segurança pública melhor... Nesse tipo de colocação, está embutida a premissa de que temos educação, saúde, segurança e outros serviços públicos bons, e que se pretende apenas melhorar. Ora, essa premissa é falsa. O quadro geral dos serviços públicos é crítico ou abaixo da crítica, quando tratamos, especialmente, de educação, saúde e segurança.
            Regra geral, os candidatos não consideram que vivemos na sociedade capitalista. Isto é, solenemente posto de lado e, mesmo os vários partidos socialistas, comunistas, trabalhistas não levam em conta o verdadeiro caráter socioeconômico da sociedade em que estamos inseridos. Desde muitos anos, temos dito e repetido, que nos limites do capitalismo, as massas trabalhadoras, o povo deserdado em geral, só podem pretender o menos ruim. No capitalismo só caberá ao povo, na melhor das hipóteses, uma escola menos ruim, um serviço de saúde menos ruim, um serviço de transporte menos ruim, salários menos ruins e até um governo menos ruim.
            Nesta sociedade o que é bom, o que é excelente, estão destinados a uma pequena minoria que é a classe burguesa. Essa sim, têm escola de qualidade, saúde de qualidade, alimentação e vestuário da mais fina excelência e, para ela, a burguesia, os governos que lhe servem são considerados bons, desde que exerçam com competência a tarefa de administrar a desigualdade, como bem fez e faz o governo petista, refreando os descontentamentos populares e assegurando tranquilidade e bons lucros, para sua classe.
            Vemos a partir dessas colocações que o sistema capitalista goza de uma situação política bastante cômoda. Encontramos, no máximo, forças políticas que se opõem a circunstanciais governos. Não vemos, porém, movimentos que se coloquem, explicitamente, em oposição à ordem vigente.
            Essa situação é bastante preocupante, pois o capitalismo, apesar de enfrentar sucessivas e graves crises, goza de uma incontestável hegemonia política, uma vez que não existem mobilizações, de natureza anticapitalista, que se expressem com razoável força. Além da denúncia desse sistema como causa das desigualdades, necessitaríamos de ter uma bem elaborada proposta de construção de uma nova ordem.  Sem isso, não iremos muito além de uma perspectiva trágica para humanidade.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

MISÉRIA ASSISTIDA



 MISÉRIA ASSISTIDA

            Há uma diferença abismal entre marxistas e cristãos, diante da pobreza e da miséria. Enquanto os cristãos buscam administrar a miséria promovendo campanhas assistencialistas que tornem a vida dos deserdados menos cruel, os marxistas têm como proposta a erradicação da pobreza e da miséria atacando a causa. Os cristãos, por mais de dois milênios, levam a cabo várias campanhas do tipo: a sopinha dos pobres, cobertor para os desvalidos diante do impiedoso frio, albergue para os desamparados e outras iniciativas do gênero que, se servem para minorar o sofrimento imediato de uma pequena parcela da população carente, servem muito mais para assegurar às almas caridosas, uma compensação na “vida eterna”.
            Os gestos caridosos dos cristãos têm permitido que alguns deles galguem a posição de santos no reino celestial, numa prova concreta de que investir na miséria, torna-se pelo prisma religioso, um bom investimento para quem o pratica. Enquanto isso, os marxistas preocupam-se com a desconstrução do sistema capitalista como causa da pobreza e da miséria. Mas eles, os marxistas, não pretendem salvar o povo de suas agruras e, ao invés de sopas, cobertores, albergues, preferem ministrar doses maciças de conscientização, pois entendem que a humanidade só pode se livrar das chagas sociais que se abatem sobre a pobreza e a miséria, quando a massa de explorados e oprimidos tomar consciência de que seus sofrimentos só podem ser abolidos a partir da ação libertadora dos próprios explorados.
            “A obra de libertação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores” ou não haverá libertação. A postura do petismo e de outros demagogos, vai no sentido de buscar administrar a pobreza e a miséria e dela tirar dividendos políticos, como é o caso da campanha Bolsa Família. Daí, a indecente colocação dos candidatos petistas que se propõem, demagogicante,” cuidar do povo como Lula ensinou”. Isso é sumamente imoral, e é assustador que essa posição política, de caráter demagógico e paternalista,  seja assumida por pessoas que no passado recente se reivindicavam socialistas revolucionários.
             Essas questões, e tantas outras têm que ser refletidas sob pena de nos afundarmos, como tem acontecido diante do discurso falacioso verbalizado pela esquerda direitosa tão bem representada pelos partidos PT-PCdoB-PSB.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

PT GAIATO


PT GAIATO
            O Partido dos Trabalhadores, antes motivo de esperanças, mudou profundamente.  Hoje ele não pode ser levado a sério. Perdeu qualquer conotação ideológica para se tornar uma agremiação política de perfil claramente fisiológico. Antes, eles buscavam se locupletar das máquinas sindicais e municipais, para depois conseguir se inserir nas máquinas estaduais e, por fim, no governo federal.
            A direção petista, que outrora se negara a qualquer entendimento com o PMDB ideológico de Ulisses Guimarães, Franco Montoro, Mario Covas, Tancredo Neves, não teve o menor escrúpulo em cair nos braços do PMDB fisiológico, extremamente corruptor e corrompido, representado por figuras dessa pútrida república brasileira como são: José Sarney, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Romero Juca, Michel Temer e alguns outros.
             Depois, de se envolverem em episódios bastante comprometedores, como foram os casos de Santo André, que culminou com a morte do ex-prefeito Celso Daniel e com a misteriosa morte de Toinho, na cidade de Campinas, os petistas mergulharam no maior escândalo da nossa história política, quando arquitetaram e operaram o chamado Mensalão.
            Quando o escândalo veio a público e foi aberto um processo contra os mensaleiros, eles apostaram na impunidade dos envolvidos. Por quê? Ora, o governo petista, representado por Lula e Dilma havia nomeado oito, dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal e contavam que esses ministros, em troca do ato de nomeação, haveriam de inviabilizar qualquer punição aos delinquentes desse processo. Mas, a previsão não tem se confirmado, tudo indica que a grande maioria dos ministros que compõem o STF, ao invés de enveredar pelo descalabro da impunidade, optaram por trilhar o caminho da justiça, embora essa conduta não seja frequente nos tribunais da burguesia, quando os réus são ricos e bem situados.
            À exceção do ministro DiasToffoli e do seu parceiro Ricardo Lewandowski,que têm se portado como verdadeiros advogados dos acusados, parece que o citado tribunal, por sua maioria, preferiu ouvir os clamores do povo e da justiça, mesmo que esta seja capenga.
            Diante da iminência da condenação dos mensaleiros, hoje, o PT se sai com o discurso gaiato, dizendo que as atitudes do STF são gestos golpistas, como golpista é a imprensa democrática burguesa, quando denuncia, baseada em fatos e documentos, os inúmeros atos de corrupção.
            O petismo desfigurado, fisiológico, bem merece um lugar na História e não existe lugar mais apropriado para eles, do que as penitenciárias superlotadas pelos delinquentes pobres.
                                                                                                                 Gilvan Rocha

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

QUESTÃO DE GOVERNO?



QUESTÃO DE GOVERNO?

            A burguesia, na sua esperteza, consegue induzir nos letrados e iletrados a falsa crença de que os problemas sociais, como fome, drogas, violência, educação, saúde e tantos outros podem ser resolvidos por iniciativas governamentais. É verdade que, um governo competente e sério, pode minorar os problemas sociais. Entretanto, é necessário esclarecer que a causa dessas mazelas tem como matriz um sistema socioeconômico esgotado. Querer resolver esses problemas que afligem a maioria do povo, através da mudança de governos, é uma ilusão que só interessa à burguesia.
            É doloroso ver a omissão quanto a um verdadeiro diagnóstico de nosso quadro social. Ele teria que ser bem claro, e dizer que a solução para esses problemas, deve ser buscada na desconstrução do capitalismo. Quem deveria fazer essa denúncia, quem deveria dizer ao povo que governos vão e vêm, enquanto o sistema de desigualdade e injustiça permanece, seriam os partidos que se dizem comunistas e socialistas. No entanto, não se vê, nem se ouve, desses senhores, nenhuma referência ao sistema socioeconômico vigente. Preferem dizer que com governos competentes e honestos tudo se resolve.
            Ora, mudança de governo não implica em nenhuma mudança substancial.  E é verdade, que mudanças qualitativas não se dão por via dos processos eleitorais. É frequente ouvirmos dizer, dos partidos ditos comunistas e socialistas, que as suas participações em eleições, se constituem oportunidades táticas: dizem levar avante um discurso que esclarecerá o povo no sentido de que seus males não podem encontrar solução nos limites desse sistema. Somente um processo de ruptura e transformação radical, poderá produzir as condições necessárias a libertação do povo, particularmente das massas trabalhadoras, dos grilhões que as acorrentam. Isto é, somente um processo de radical transformação poderá trazer a igualdade e a justiça entre nós.
            O povo precisa saber!

                                                                                  Gilvan Rocha