quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

AÇÃO SOCIAL E SOCIALISMO




            Há uma confusão reinante, que atinge setores da esquerda, em confundir ações sociais como se fossem ações socialistas. Não percebem, esses senhores de esquerda, deles até existem os que se proclamam “marxistas-leninistas” ou até mesmo “marxistas-leninistas-trotskistas”, que a política de promoção calcada em ações sociais, foi assumida pela burguesia internacional, particularmente nos países da Europa Ocidental, como forma de conter um possível avanço do projeto socialista.
             Assim é que, os senhores do capital implementaram uma política que entrou para a História como sendo a criação de Estados de “bem estar social”. Na vanguarda desses estados capitalistas, estavam os chamados países nórdicos e neles existiam e sobrevivem políticas assistencialistas, tão “avançadas”, que chegavam a se colocar como uma via para um presumido socialismo democrático. Na verdade, esses países apresentavam um nível de bem estar e segurança social muito acima dos padrões nos indevidamente chamados, países socialistas. Mas, não era somente nos países nórdicos que se fez presente o assistencialismo nos limites do capitalismo. Em países como Alemanha, França, Bélgica, Áustria e mesmo na Itália, observava-se a existência de políticas semelhantes.
            Esse perfil avançado de política social, vamos encontrar também nos EUA, no Canadá e no Japão, para citarmos alguns poucos exemplos. Ora, essa manobra de levar avante políticas assistencialistas para garantir o apoio das massas populares ao sistema capitalista, teve pleno sucesso e, não é, de bom alvitre, que partidos e militantes supostamente socialistas, acenem para o povo com promessas de ações sociais, cujo resultado final é, sem dúvida, o fortalecimento do próprio capitalismo, pois essa conduta, dá margem a que se imagine ser possível, no âmbito desse sistema, se promover a emancipação da humanidade dos grilhões espoliadores em que vive. Vale pois, nos desfazermos desses equívocos e pararmos de confundir ação social com o projeto emancipador de que o socialismo é instrumento.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Verde, maduro e podre




O Partido dos Trabalhadores já passou dos trinta, quanto partido institucional. Nasceu verdíssimo e como se diz que o verde é a cor da esperança ele exalava esperanças por todos os poros.
Três eram os esteios desse partido. O primeiro deles era o sindical. Era o mais forte e o que inspirava maiores esperanças, calcadas na intuição e no instinto de classe. Assim pensávamos.
O segundo grande esteio na composição do Partido dos Trabalhadores eram as chamadas CEB’s – Comunidades Eclesiais de Base, movimento apoiado na então propalada Teologia da Libertação. A tradição do cristianismo não é a de erradicar a pobreza. A isso ele nunca se propôs, todo o seu pensamento poderia ser resumido na afirmação do padre dominicano Regis Lebrê, quando dizia ser obrigação dos cristãos “empenharem-se para que os ricos fossem menos ricos e os pobres menos pobres”. Não podemos deixar de lembrar que a “nossa” Santa Madre Igreja teve um papel importantíssimo no processo do golpe de Estado em 1964. A CNBB chegou, em documento oficial, a agradecer os préstimos das “gloriosas Forças Armadas” que libertaram o Brasil das garras sinistras do comunismo ateu.
O terceiro esteio na formação do PT era o mais frágil, extremamente fracionado e politicamente atrasado, confuso e prostrado diante da capitulação geral que se avizinhava. Tratava-se de dezenas de grupelhos de origem marxistas-leninistas-trotskistas ou, simplesmente, marxistas-leninistas. Esses grupelhos traziam consigo todos os defeitos de nascedouro, eram grupos de matrizes stalinistas e, assim sendo, não se cansavam de levar à prática um exacerbado monolitismo, uma absoluta supressão do livre debate, a excludência do tipo “somos o povo escolhido de Deus”, o aparelhismo como objetivo precípuo, fosse ele de estado, sindical ou partidário, usando para os seus fins políticos a rasteira e a calúnia.
No começo, a burguesia egressa dos anos de ditadura amedrontou-se com a possibilidade da real implantação de um partido que representasse os interesses históricos dos trabalhadores. Buscou de todas as formas inviabilizar essa proposta, fosse pela via da confusão da legislação eleitoral ou pela via da intolerância e da perseguição. Frustradas essas tentativas anti-petistas levadas a cabo pela direita troglodita, o seguimento burguês mais lúcido onde estavam incluídas figuras como: Mario Covas, Ulisses Guimarães, Franco Montoro, Fernando Henrique, Teotônio Vilela e uns poucos outros, compreendeu, perfeitamente, que “o leão era mansinho”, ou seja, o assustador Partido dos Trabalhadores – PT, não era e não viria a ser uma organização de caráter anticapitalista como temiam os menos avisados e pretendia alguns socialistas revolucionários.
Além da boa fé da imensa maioria dos que aderiram ao Partido dos Trabalhadores, acreditava-se no refrão de que o PT seria um partido diferente. Ou noutro momento, levou-se a sério a afirmação de Luis Inácio Lula da Silva de que o que faltava no Brasil era “vergonha na cara”. Noutro instante o “salvador” proclamou que existia no congresso nacional “mais de trezentos picaretas”. Deixou de dizer, entretanto, que esses picaretas haveriam de ser os seus mais sólidos aliados.
Lula no governo veio provar que o “leão era realmente mansinho”. O seu governo garantiu os maiores lucros para a burguesia, enquanto concedeu migalhas de vantagens ao sofrido povo e transformou a massa de miseráveis, através do programa Bolsa Família, num imenso colégio eleitoral, que bem lhe serviu para reelegê-lo e eleger sua sucessora Dilma Rousselff.
A cada concessão que fazia o governo Lula e seus apaniguados a burguesia exultava e proclamava aos quatro quantos: “O PT já não é mais aquele partido verde, hoje ele é maduro e totalmente confiável”.
Antes, Lula e sua laia distanciavam-se dos PMDBistas de perfil ideológico como eram Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Franco Montoro, Mario Covas, Teotônio Vilela, como já citamos. Hoje, ao deixar de ser “maduro” para se tornar PODRE, assumiu de público, sem nenhum recato, estreita aliança com o que existia e existe de mais pútrido, mais picareta, mais fisiológico no cenário nacional.
            É nosso dever estabelecer a diferença entre os interesses imediatos do povo trabalhador e seus interesses históricos. Os interesses imediatos consistem em se defender da ganância desabrida de uma burguesia sempre famélica por vultosos lucros. O defender-se, o buscar uma ou outra melhoria nas condições de vida é uma tarefa de casa, de cada dia, das massas de trabalhadores. Outra coisa é lutar pelos interesses históricos dessas massas. Outra coisa é quebrar as algemas que prendem a humanidade à cruel dominação capitalista. O interesse imediato, o interesse reformista reduz-se à busca da migalha, os interesses históricos representam a busca da total liberdade. 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Vão e Vêm!




            Dár-se a mudança dos governos municipais em todo o Brasil. Essa mudança de governos é colocada fraudulentamente, como se fosse um processo de alternância de poder. Isso não é verdade! Governos vão e vêm, e a realidade capitalista da sociedade dividida em classes e camadas sociais permanece, sustentada pelo real poder que é o poder de Estado, sempre a serviço da ordem social e econômica vigente.
             Mudanças de governos operam algumas outras mudanças, mas sempre de caráter formal e superficial e nenhuma mudança de conteúdo, pois mantém-se, como foi dito, o capitalismo, com todas as suas mazelas sociais.
            É verdade que existem governos mais responsáveis e competentes, com alguma preocupação social, e existem outros governos, seja em nível municipal, estadual ou federal, que se conduzem de forma atabalhoada, irresponsável e desonesta. Dessa maneira, quando somos chamados a participar do processo eleitoral, nós, socialistas, devemos aproveitar o ensejo para denunciar a ordem vigente e desmentir o discurso da alternância do poder, quando elas, as eleições permitem, tão somente, mudanças de governos.
            Em última instância, quando por falta de um maior vigor do movimento socialista em aberta oposição ao capitalismo, resta-nos, como saída eleitoral, escolher o menos ruim, sem a ilusão de que tais opções impliquem em consequências de caráter qualitativo.
            Vão governos e vêm governos, e tudo fica como dantes, no “quartel de Abrantes”. Ou melhor, atenuam-se ou agravam-se certos aspectos de nossa realidade crítica, mas nunca que essa realidade poderá ser alterada, substancialmente, pela via de mudanças de governos.
            Essa é uma constatação que deveria orientar a militância política que se rotula de socialista, comunista ou até mesmo trabalhista. Essa gente, muitas vezes, por má fé ou ilusões, se presta a vender fantasias, se presta a colaborar efetivamente com o trabalho de enganação das massas populares, confundindo, por exemplo, algumas ações sociais com socialismo o que é totalmente improcedente.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

“CAPITALISMO EXAGERADO”


      Deveria ser muito claro o quanto de mazelas sociais, das mais cruéis, são produzidas e mantidas pelo capitalismo, não fosse o empenho da esquerda direitosa em esconder a própria existência desse sistema, aderindo ao discurso da burguesia de que o capitalismo é bom desde que administrado com competência, honestidade e determinação. A partir dessa visão, chegaríamos a ter um capitalismo humanizado, em lugar do capitalismo selvagem, como se isso fosse possível.
            As extravagâncias, os níveis de crueldade do sistema capitalista, que além do mais, é extremamente predatório, chega ao cúmulo, levando o atual papa, Bento XVI, figura comprometida com uma trajetória de extrema direita, vir a público, durante a passagem do ano, para dizer que o capitalismo deve evitar os seus exageros.
            O discurso de um papa ultra-direitista, termina ficando bem à frente da esquerda direitosa, que omite, sob todos os aspectos, qualquer denúncia ao sistema socioeconômico em causa e, dessa forma, contribui para a sua manutenção enquanto ele nos arrasta para a tragédia total.
            A sobrevida do capitalismo, apesar de suas enormes contradições e ostensivas crises, se deve ao papel que jogou e joga a esquerda direitosa, nesses últimos noventa anos de hegemonia stalinista. Como decorrência desse papel levada a cabo por essa esquerda de matriz stalinista, temos aí, como testemunha eloquente de nossas sucessivas derrotas, a permanência dessa ordem econômica e social exaurida. Mesmo contrariando toda a lógica, eles gozam de uma estranha hegemonia política, pois falta a existência de movimentos e partidos anticapitalistas com o devido peso.
            Face ao extremo estado de pobreza política, fica a esquerda direitosa e seus circundantes, alimentando-se de migalhas políticas do tipo o chavismo na Venezuela, Evo Morales na Bolívia, Rafael Correia no Equador, enquanto somam-se, a essas migalhas, os estremecimentos conjunturais que se passam na Grécia, na Espanha, na França, na Itália, como expressão do quadro de exaustão do capitalismo, enquanto dá-se a ausência de um projeto de superação desse sistema, ou seja, a ausência de um projeto socialista com a envergadura política que se faz necessária.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

ORIGEM HUMILDE




      A cultura judaico-cristã exalta a pobreza como fator importante para o cultivo das virtudes e estigmatiza os ricos, atribuindo-lhes graves defeitos de índole. Esse viés cultural, sempre está presente em nossas vidas, particularmente na atividade política, quando algumas pessoas colocam a sua origem humilde como um trunfo para merecer a preferência e a confiança dos demais. Recentemente, o noticiário político dava conta de que o estado de saúde do Coronel Hugo Chávez era tão periclitante que poderia desembocar no seu falecimento. Antes de submeter-se a uma quarta cirurgia que lhe curasse do câncer, o Coronel Hugo Chávez apontava a figura de seu vice-presidente como possível candidato, em caso de sua ausência.

      A imprensa noticiando essa escolha do coronel venezuelano, ressaltava que o sr. Nicolas Maduro, era um homem de origem humilde. Ora, o exemplo mais contundente de que a origem humilde de um fulano ou de um sicrano não pode servir como garantia de um comportamento ilibado, nós temos, sobejamente, no caso de Joseph Stálin. Esse senhor, filho de um sapateiro alcoólatra e de uma mãe lavadeira, era  membro do Comitê Central do Partido Bolchevique que tinha em seu currículo um passado de pobreza e miséria, isso, contudo, não impediu que essa figura dantesca se transformasse no maior algoz da humanidade, pondo por terra a premissa de que  a pobreza gera virtudes.
      Quanto ao sr, Adolf Hitler, também vinha de uma origem econômica bastante modesta e isso também não evitou que ele procedesse junto à História como o mais tresloucado assassino. O metalúrgico polonês, Lech Walesa, após liderar a luta política contra o estado policial, veio assumir a presidência daquele país e prestar um grande serviço ao imperialismo no processo de reestruturação do capitalismo na Polônia.
      E o que dizermos do retirante da seca nordestina, Luís Inácio da Silva, que na Presidência proporcionou grandes serviços aos banqueiros, ao agronegócio, aos industriais, aos exportadores, enfim, ao grande capital, enquanto se empenhava em manter sob controle as massas populares, servindo-lhes migalhas? O sr. Paulo Malluf disse: “Diante dos banqueiros, eu pareço ser comunista, enquanto Lula se apresenta como um esmerado servidor desses senhores”. Vê-se pois, o quão infundada é a cultura judaico-cristã na sua exaltação á pobreza como fonte de virtudes.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O PT CAIU NA PRIVADA!


O PT CAIU NA PRIVADA!

            A nossa desinformada esquerda direitosa tem como um dos seus postulados, o de que existe uma dicotomia entre o público e o privado. Para eles, devemos fazer a opção pelo público, que é do povo. Não enxergam que o público é o Estado e esse é uma instituição de classe. No capitalismo, o Estado representa o poder burguês e se organiza em torno da defesa desse sistema sócio-econômico. Portanto, trata-se de uma fantasia, de uma balela, pretender que o Estado seja do povo.
            Fruto dessa falsa dicotomia entre o público e o privado, imagina-se construir dois projetos políticos. Um, pretensamente de esquerda, que se propõe a defender a bandeira da “coisa pública”, através do Estado, e o outro, que seria nesse caso a direita, que tem por proposta a defesa e a exaltação da iniciativa privada. Nessa dualidade, trafega a “nossa” esquerda direitosa que não se atreve a assumir uma postura anticapitalista, pretendendo apenas o exercício de governos estaduais, municipais e federal sem extrapolar o âmbito da ordem econômica e social vigente, sem ameaçar o poder real, o poder da burguesia, representado pelo Estado como já dissemos.
            Fiéis a essa equivocada visão, o PT, o PCdoB e o PSB, autênticos representantes da esquerda direitosa, aferram-se ao discurso do público contra o privado, sem dizer que são faces de uma mesma moeda, são faces complementares da ordem capitalista.
            Após tantos anos de gritaria contra as privatizações e a denúncia cerrada de que o caminho da privatização como política neoliberal, encarnava o direitismo, quando direita são, tanto uma como a outra das forças políticas em litígio. Aconteceu, porém, que o Estado brasileiro não teve condição de realizar obras de infra-estruturas principalmente nos quesitos portos, aeroportos, rodovias e ferrovias e isso levou a um grave estrangulamento da economia, impedindo a burguesia brasileira de ter um maior grau de competitividade.
            Dessa maneira, o PT e os seus aliados, não tiveram outra saída senão recorrer à privatização que começou com os aeroportos e há de continuar em várias iniciativas de investimentos que se fazem necessários. Assim sendo, não é injusto dizer que o PT e a esquerda direitosa, terminaram por cair na privada, lugar de onde nunca deixaram de ter fortes laços, pois é a eles que seus governos prioritariamente servem.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

DOIS PROJETOS



            A esquerda direitosa procura nos convencer que existem, apenas, dois projetos no cenário político brasileiro. Um deles, encampado pelo PSDB, DEM e PPS seria o neoliberalismo, a direita. O outro, seria o nacional-desenvolvimentismo, inspirado em Celso Furtado e seria representado, pelo PT, PSB, PCdoB. Ora, isso é mais uma fraude. Veja-se que tanto um projeto como o outro, não passam dos limites do capitalismo. Bastaria esse fato para nos sentirmos seguros em dizer que se tratam de duas vertentes da direita: uma direita reacionária e uma direita progressista. Isso, porém, é uma meia verdade, quando ficou evidente que o PT se comprometeu de que haveria de respeitar o Plano Real, do governo de Itamar Franco, continuado por FHC. Eleito, Lula da Silva,  em conluio com o imperialismo, escolheu um banqueiro de confiança do grande capital, Henrique Meireles, para presidir o Banco Central, e a burguesia, nacional e internacional, derramou sorrisos. Com essa atitude, Lula demonstrou, claramente, que poderia trair os interesses maiores dos trabalhadores, mas não trairia os da burguesia.
            Como socialistas revolucionários, defendemos e fundamentamos a tese de que, na verdade, existem nessa sociedade, dois grandes projetos antagônicos e inconciliáveis. O primeiro deles, estamos convencidos, atém-se à manutenção do capitalismo, difundindo o discurso de que o sistema é bom, desde que administrado com competência, abnegação e honestidade. O projeto de conservação do capitalismo, é defendido tanto pelo PSDB, quanto pelo PT, ambos com o DNA de direita, pois consideramos, politicamente de direita, todos os partidos e movimentos que se coloquem nos limites da ordem econômica e social vigente. O segundo projeto, esse sim, merece muito bem, ser chamado de esquerda. Trata-se do projeto socialista, portanto, um projeto claramente anticapitalista, incapaz de qualquer gesto de conciliação, uma vez que não há nenhum ponto de convergência entre essas duas propostas, uma de conservação desse sistema e a outra de transformação. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Triste Papel




            Na metade da década de vinte do século passado, consumou-se a derrota da revolução socialista em escala mundial. A contrarrevolução se estendeu por todo o universo, inclusive fez-se presente, após sangrentos embates, na recém surgida URSS.
             O imperialismo foi vitorioso e, ao lado desse fato, prosperou a contrarrevolução travestida de esquerda sob o rótulo do “marxismo-leninismo”. Braço dessa política contrarrevolucionária foi a Terceira Internacional e, em menor escala, o trotskismo. É necessário deixar claro que, Stálin e Trotsky, depois da derrota da revolução, constituíram-se em produto dessa derrota, cujo resultado apresenta-se hoje, retratado no extremo estado de pauperização do movimento socialista e na hegemonia política do capitalismo em escala mundial.
            Para a sobrevivência do capitalismo, concorreram e concorrem a direita explícita e as posturas assumidas pelo stalinismo-trotskismo. Proclamando a falsa ideia de que existia um mundo socialista, representado por Estados policiais, que não passavam dos limites do capitalismo de Estado e que serviam tão somente às castas burocráticas incrustadas nesses países, a esquerda direitosa, além de assassinar o socialismo científico, promovendo sérias distorções conceituais, contribuiu para difundir lendas e fraudes, nada convenientes à causa revolucionária.
             Já se disse que revolucionária é a verdade e que seria com ela que deveríamos ter todo o compromisso e nunca propagar tantas mentiras políticas que só serviram e servem a manutenção da ordem econômica e social vigente.
            Assim sendo, esses senhores da esquerda direitosa, sob o manto do “marxismo-leninismo” ou do “marxismo-leninismo-trotskismo” têm prestado um triste papel para manter a ordem vigente, que nos arrasta para a tragédia total.
            Recentemente, a Coréia do Norte, Estado extremamente policial, calcado no capitalismo de Estado, lançou ao espaço um foguete de longo alcance e essa proeza foi festejada por setores da esquerda direitosa, como um ato a serviço da causa socialista, o que é uma monumental mentira. Não deveríamos ter nunca compromisso com a fraude, entretanto, essa atitude comprometida com a mentira vem se arrastando por esses longos anos de stalinismo-trotskismo em seu triste papel.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A capitulação semântica




            A esquerda majoritária há muito abandonou o socialismo. Trocou o princípio do antagonismo de classes pelo discurso social-patriota, imposto pela burguesia à Segunda Internacional. Isso a levou a abandonar o caminho da insurreição socialista para assumir-se como defensora da pátria.
Por ironia da história, a Terceira Internacional, criada pelos bolcheviques, após o triunfo de 1917, para combater o social-patriotismo da Internacional anterior, terminou, com a derrota da Revolução Mundial e a consolidação do stalinismo, convertendo-se num novo antro do social-patriotismo.
O princípio da contradição capital/trabalho, burguesia/proletariado, foi substituído pela contradição “nação opressora versus nação oprimida” e, sob essa bandeira, a esquerda convencional, produziu agrupamentos patrióticos esquecendo-se da singela lição de que “o proletariado não tem pátria”.
            Essa distorção fez surgir  uma esquerda acentuadamente direitosa. Depois da queda do Muro de Berlim, ela que se apoiava no fraudulento discurso da existência de dois mundos, o mundo capitalista e o mundo socialista, convivendo pacificamente, ficou sem discurso. A partir daí, ela mergulhou totalmente no rumo da capitulação e aderiu aos truques semânticos patrocinados pela burguesia.
Não fala mais, a esquerda direitosa, em burguesia, prefere vociferar contra as elites, que é um vocábulo politicamente impreciso. Ao invés de capitalismo que expressa o conceito de um sistema de classes, prefere, até com certo pedantismo, falar em capital, que é apenas parte desse sistema e, portanto, insuficientemente claro aos olhos e ouvidos dos trabalhadores. Outra expressão sofisticada, longe do alcance dos trabalhadores é contra-hegemonia, que objetiva dizer, contra o poder da “elite”.
Para maior pesar, essa esquerda procura se abastecer no velho discurso burguês dos iluministas do século XVIII, lançando mão da expressão “república” e mais abusivamente ainda, lançando mão da palavra “cidadania”, como forma de diluir o caráter de classe da sociedade. 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

A CARA FEIA DA MENTIRA




            Vai encarar?
            Alguns dizem que somos os donos da verdade. Isso é um horror. Não somos donos dela e nem sequer seus sócios majoritários. Muito longe disso!
            De qualquer forma seria importante que os nossos oponentes deixassem de lado a maldade e parassem de espalhar ideias horríveis no seio do povo trabalhador. Lembremos que, para destruir uma mentira bastou que fosse provado ser verdade que a Terra era redonda e não quadrada, semelhante a uma mesa, como diziam os desinformados.
            Foi necessário, para os que interessam construir o IMPÉRIO DA MENTIRA, dizer que sempre existiram ricos e pobre, e isso é uma mentira muito grande. Eles construíram o Império da Mentira com muita rapidez para que desse sustentação à desigualdade. Parece brincadeira, mas é o contrário, a verdade é que tem pernas curtas e a mentira tem pernas longas e fortes, pois é desse império que vem a sustentação do mundo da desigualdade, que tem reinado nesses milênios.
            Quem sustenta o IMPÉRIO DA MENTIRA? As lendas, as fantasias, as crendices, as bravatas que repetimos sem pensar. Mentimos de peito estufado, como se estivéssemos falando a verdade.
            A pobreza, a miséria e a desgraça social, têm dois firmes pilares: a mentira de um lado e a lei do chicote do outro. São esses eles que mantém o império da crueldade.
            A enganação aparece logo quando nossa família nos ensina: olha, papai do céu briga! Papai do céu sabe tudo, inclusive o que você possa estar fazendo às escondidas! Dos castigos de Deus ninguém escapa, pois ele está sempre pronto e vigilante.
            Quando a mentira fraqueja, vem o braço do chicote. É a “Lei de Chico de Brito” que mantém bandidos pobres na cadeia e bandidos ricos bem longe delas. Não defendemos a bandidagem. É preciso estar ao lado da verdade e para isso temos de enfrentar a figura do cão.
            Temos assim, dois gigantes invisíveis que dirigem nossas vidas. Eles são mentirosos, mas nós não enxergamos e até temos medo de enxergá-los. O único caminho é afugentar a mentira e o chicote pregando a verdade e só poderemos ser felizes.