quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Armadilhas


A burguesia, extremamente esperta, além de semear mentiras, lendas e fantasias, arma muitas armadilhas, objetivando manter as massas populares iletradas, letradas e até bem letradas, circunscritas a determinados limites e isso muito lhe convém.
Hoje, vivemos uma perigosa armadilha política, que tem sido muito bem sucedida, considerando os interesses da burguesia e de seus aliados. Trata-se do falso dilema: PSDB versus PT. Para construção e êxito dessa dualidade forjada, tem havido a permanente contribuição da esquerda direitosa que defende e alimenta esse confronto político, tão distante dos reais interesses das classes trabalhadoras.
Ora, tanto o PSDB, quanto o PT e os seus circundantes, têm compromisso com os interesses do grande capital. A dualidade a que devemos nos ater é a que existe entre os interesses da burguesia e os das classes trabalhadoras. Recentemente, assistimos, um espetáculo politico deveras deplorável. A burguesia conseguiu, nas ultimas eleições (2014), que o povo brasileiro se dividisse entre dois blocos de direita: petralhas e tucanalhas, deixando de lado qualquer sinal em favor dos interesses reais da massa dos deserdados.

Terminadas as eleições, com a vitória da candidata Dilma Rousseff, o que se tem visto é ela buscar montar sua equipe econômica com os quadros do agrado do grande capital, sejam eles, os banqueiros, o agronegócio, os capitães da indústria... De boa fé, muitos caem na armadilha e se põem a discutir quem “melhor” dos dois: petralhas ou tucanalhas? Essa discussão deve ser prontamente rejeitada, por todos nós. Devemos pôr na mesa o antagonismo existente entre os interesses da burguesia e os dos trabalhadores. Este sim, deve ser o eixo dos nossos debates. Agindo assim, estaremos rejeitando um falso dilema, fugindo da armadilha, uma vez que tanto um bloco como o outro propõem-se, no atacado, servir ao capitalismo, embora pretendam dispensar aos explorados a concessão de medidas de varejo, pequenas migalhas, que possam atenuar as tensões sociais e, dessa forma, garantir a paz aos grandes senhores.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Chegando ao Poder


É corriqueiro ouvirmos o seguinte discurso: o PT era um partido de perfil socialista, mas, quando chegou ao poder, ele mudou. Primeiro, é necessário entender que chegar ao governo nada tem a ver com chegar ao poder. O poder é o Estado, e ele tem caráter permanente. Os governos existem para gerenciar, eventualmente, os negócios do sistema socioeconômico vigente que, em nosso caso, é o capitalismo. Temos dito, insistentemente, que governos vão e vêm e o sistema continua, em sua essência, o mesmo. Quando ocorre de algum governo entrar em conflito com o poder, ele é deposto. A História está repleta, quanto a isso, de exemplos.
Feita essa observação, é fácil concluir que o PT não chegou ao poder, mas, tão somente, ao governo. Por outro lado, não é acertado dizer que ele mudou depois de conquistar sua vitória eleitoral. Isso não. O PT mudou para conseguir governar. Com esse propósito, publicou sua “Carta ao povo brasileiro” que, na verdade, era destinada ao grande capital. Nessa carta, o citado partido deixava claro que a burguesia não tinha de que ter medo, o leão era mansinho. Em seguida, o PT pagou muito caro, em moeda corrente, para ter um rico e insuspeito industrial na chapa de Lula, na condição de vice.
Ao lado dessas providências, fez as suas promessas. Garantiu manter-se fiel ao Plano Real. Garantiu que o Banco Central haveria de ser dirigido por um banqueiro da confiança do capital financeiro internacional. Garantiu evitar comoções sociais, mantendo os trabalhadores imobilizados pelas centrais sindicais, fazendo o mesmo com as centrais estudantis.

Dessa forma, o PT e seus assemelhados não mudaram quando conquistaram o governo, isso é preciso deixar bastante claro. O PT, pelas mãos de seus dirigentes, vendeu sua alma ao diabo e, nesse processo de triste capitulação, sobressaíram-se as figuras de José Dirceu, Luiz Gushiken, José Genuíno, Gilberto Carvalho, Delúbio Soares, Luís Pereira e outros trânsfugas, se é que esses senhores, algum dia, foram, de fato, socialistas revolucionários.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Socialismo e sacrifício


Somos, enquanto marxistas, absolutamente, contra o sacrifício desnecessário, o sacrifício do penitente que resvala para o autoflagelo, a partir da ideia mística de que o “sofrimento do corpo ameniza os pecados da alma”. Esse conceito de sacrifício sempre se prestou aos interesses das classes exploradoras, na medida em que a massa de sofredores possa se sentir bem, dentro daquele pensar bastante popular: “pouco importa o sofrimento, pois Deus esta vendo e haverá de me destinar a felicidade após a morte”. Apesar de refutar esse tipo de sacrifico calcado no autoflagelo, nós, socialistas revolucionários, sabemos que é inevitável o sacrifico para a conquista do objetivo maior que é a libertação da humanidade dos grilhões do capitalismo.
Quem conhece a história do movimento socialista, verá que bem antes do socialismo marxista, militantes revolucionários, além dos menores e constantes desconfortos, chegaram ao ponto de sacrificar suas vidas na luta pela justiça e pela paz. Exemplo digno de ser ressaltado encontra-se na “Conspiração dos Iguais” quando, em torno de um manifesto igualitarista, um grupo de revolucionários, já em 1796, urdia um plano para deposição do governo burguês e a instalação de um governo do povo. Esses conspiradores, logo que descobertos foram levados aos cárceres e o seu líder maior, Graco Babeuf, foi decapitado. Diante do tribunal que o sentenciou, Graco, pronunciou um destemido discurso de fé em seus propósitos.
São quase infindáveis os testemunhos de sacrifícios necessários à conquistas de nossos objetivos socialistas, desde o sacrifício da vida aos de menor monta, como uma longa caminhada, um jejum compulsório, noites mal dormidas, múltiplos desconfortos... estão na lista do fazer militante.
O sacrifício de um domingo de lazer, por um dia de intensa panfletagem, deve ser considerado, pelo militante ganho para a causa, como algo que acalenta nossos corações ávidos na busca da felicidade social plena, que só poderá acontecer com a superação do capitalismo. A isso podemos dizer: bendito sacrifício, pois foi o preço imposto na nossa busca de um objetivo superior a cada um dos nossos anseios menores, enquanto indivíduos. O que foi dito pode ser reduzido à reafirmação de que não faz sentido o autoflagelo místico, entretanto se impõe o sacrifício indispensável para a causa socialista quando o momento exige. 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Dá para pensar!


Quando alguém disse que a terra era redonda, a maioria das pessoas falou alto: Que é isso, gente? A terra é plana, embora marcada por ondulações, por montanhas. Que conversa é essa de dizer que a terra é redonda...? Coisa de louco!
Quando, anos depois, alguém falou que a terra se movia ao redor do sol, que ela não era fixa, os protestos foram maiores, e quase que um certo senhor, Galileu Galilei, foi atirado na fogueira da santa ignorância por ter dito tamanho absurdo.
Quando uns pouquíssimos afirmaram que era possível fazer uma máquina para voar, a imensa maioria discordou, achou um absurdo, coisa de quem não tem o que fazer. Uma ideia impossível de se realizar.
Quando se falava na possível chegada do homem à lua, a descrença era quase absoluta.
Os casos apontados se repetem, hoje em dia, de outra forma. Quando se diz que poderemos ter uma sociedade de igualdade, justiça e paz, a maioria não acredita nessa afirmação e diz algo que não é verdade. Diz que o mundo foi sempre assim e assim será. Bate no peito e diz: Eu não acredito, isso não tem fundamento.
A terra sempre foi redonda, mesmo que a maioria das pessoas não acreditasse. A terra girava e gira em torno do sol, não era e não é fixa, embora isso não fosse claro para tantos. Apesar da discordância de quase todos, era possível fazer uma máquina voar. A ida à lua, que parecia uma fantasia, mostrou-se possível. Um mundo de igualdade e paz social não é uma ilusão, mas, sim, o único caminho para salvar a humanidade da tragédia total que o capitalismo nos arrasta, e isso é uma verdade, quer se acredite ou não. Não se trata de uma questão de fé, trata-se de uma realidade, tão verdadeira quanto a afirmação de que a terra é redonda.
Existe, porém, uma grande diferença entre os casos citados e a proposta de se conquistar um outro tipo de sociedade igualitária e justa. Caso a maioria não acredite e não se envolva na luta pela igualdade social, ela não acontecerá e, então, teremos o fim da raça humana.
Pense nisso, pesquise, discuta, observe e lembre-se: Dizer apenas: Não acredito, não é o caminho que possa nos levar à verdade e, como já foi dito, só a verdade nos salvará. Permanecendo a mentira, as ilusões, as fantasias que hoje reinam, a humanidade haverá de desaparecer diante desse monstro destruidor que é o capitalismo, cuja alma clama tão somente pela busca do lucro para uns poucos.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Stalin e o Stalinismo



            Esses anos de hegemonia “marxista-leninista” engendraram uma profunda confusão, inclusive dentre alguns muito bem letrados. A maioria dos que se reivindicam de esquerda, ou apoiam o próprio Stalin, ou imaginam que o stalinismo foi um fenômeno posterior à morte de Lenine.
Há uma diferença entre o fenômeno do stalinismo e a figura de Stalin. O stalinismo é produto da derrota do movimento socialista em escala mundial. Não é, pois, algo nascido na cabeça de delinquentes, como pretendem as análises idealistas. O surgimento do stalinismo, enquanto fenômeno político, começa a se gestar bem antes da ascensão de Joseph Stalin.
O insucesso do socialismo, na Europa Ocidental, levou a que a derrota se estendesse à nascente URSS e, a partir desse fato, deram-se as condições materiais e teóricas para que a contrarrevolução se consolidasse em território russo, pois, ao invés dos bolcheviques assumirem a derrota, empenharam-se em se manter, a qualquer custo, atropelando as leis básicas da História.
Há um princípio universal, nas artes da guerra, de que, quando se vislumbra uma derrota, o mais correto é promover a retirada, de forma a permitir menores danos. Pois bem, esse princípio não foi levado em consideração e, mesmo quando a causa se mostrava perdida, houve um obstinado propósito de não aceitar a derrota. Pior ainda, tudo que se construiu, em prol da contrarrevolução, foi apresentado como vitória do socialismo, vendendo-se “gato por lebre”.
Um dos fatos que deram respaldo teórico ao stalinismo foi a adoção de medidas de exceção, tomadas no X Congresso, em 1921, apesar das advertências proféticas de que aquelas medidas sepultariam o socialismo e isso, de certa forma aconteceu, mesmo que não tenha sido definitiva.
Enganam-se aqueles que imaginam que Khrushchov, quando denunciou os crimes de Stalin, rompeu com o stalinismo, isto é, que ele foi anti-stalinista, quando, na verdade, só o reformou, porém não rompeu com os princípios básicos da contrarrevolução, levada avante em nome do “marxismo-leninismo”.
No rol dos eruditos, que pensaram ser Khrushchov um anti-stalinista, estão figuras de prestígio como Eric Hobsbawm e outros tantos doutos. Por sua vez, existem aqueles que julgam ser, o trotskismo, o contrário do stalinismo, e isso também é um profundo engano.
Leon Trotsky poderia ter feito o papel de analista crítico da Revolução Russa e ter procedido uma autocrítica, deixando claro que a contrarrevolução triunfara. Para se desincumbir dessa tarefa, esse senhor tinha prestígio e qualidades intelectuais suficientes para fazê-lo. Ao invés disso, Trotsky e os trotskistas não romperam com as resoluções do X Congresso do PC Russo e venderam a falsa ideia de que existia um Estado Operário burocratizado, ao invés de denunciar a sua não existência e, sim, a construção do capitalismo de Estado, dirigido por uma casta burocrática.
Em função desses fatos, criou-se um empobrecimento político de profundas consequências. Há que se repetir, como se repete o Pai Nosso entre os cristãos, a seguinte verdade: Stalin e stalinismo são coisas diferentes, embora que, simbioticamente, ligados.
Como exercício de uma reflexão política, devemos colocar essas questões, que causam arrepios entre os beatos “marxistas-leninistas” e os trotskistas, de maneira que possamos resgatar o socialismo revolucionário, pois, assustadoramente, a velha esquerda ficou reduzida a um antiamericanismo insano e inconsequente, pois deixam de ver que o inimigo é o capitalismo, e não reduzir a luta a uma posição estritamente anti-ianque, como se observa, chegando-se ao cúmulo de se ver, com simpatia, o fascismo islâmico, desvairado e selvagem, porque eles têm um sentimento contrário aos infiéis do “Império”.


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Aos de boa fé


Os trabalhadores de todo o planeta têm dois objetivos. O primeiro é a conquista de melhores salários e condições de trabalho. Tratam-se de interesses imediatos de natureza reformista, isto é, medidas que alteram a forma sem alterar a essência da vida. O seu segundo objetivo, se volta para o conteúdo. No capitalismo o conteúdo está definido pelas relações e objetivos de duas classes: a burguesia e os trabalhadores. A burguesia têm o proposito de obter lucro, mesmo que para isso, haja de destruir a natureza, ceifar vidas, produzir mazelas sociais. Os trabalhadores vivem de vender a sua força de trabalho em troca de salários.
Essa realidade leva a que a burguesia procure manter o capitalismo. Aos trabalhadores cabe a tarefa de romper com essa ordem econômica e social e se libertar dela construindo um mundo onde não haja a exploração do homem pelo homem. Em geral, os trabalhadores, por falta de informações, se prendem somente aos interesses imediatos e não se dão conta de que no capitalismo não existem, para eles, ganhos definitivos. O que lhe é dado hoje é tomado amanhã.
Um partido que represente os interesses históricos das classes trabalhadoras teria, como missão principal, levar a essa classe os esclarecimentos necessários para que ela dê um salto de qualidade evoluindo do reformismo, para o socialismo. No Brasil, temos um partido que, nascido das lutas sindicais, se autoproclamou partido dos trabalhadores, porém, o que temos visto é a sua busca em cumprir a tarefa de gerenciar o capitalismo, permitindo e praticando toda sorte de ilícitos, de má conduta.
Passada as eleições de 2014, o PT se volta para formação de seu “novo” governo. O ponto nevrálgico é a escolha da equipe econômica. E onde o PT vai buscar nomes? Nas centrais sindicais? Nas suas bases partidárias? Não! O PT se volta para os grandes capitalistas, a quem cabe a missão real de escolher aqueles que vão comandar os seus interesses.
Não existe, pois, o Partido dos Trabalhadores. Existe uma agremiação que, em troca de vantagens, se presta a segurar as massas trabalhadoras, congelando os seus sindicatos e suas centrais, para garantir paz aos senhores. Isso é preciso ser dito. Não é tarefa de um partido de trabalhadores servir ao capitalismo. Pelo contrário, ele teria que ser, claramente, anticapitalista, para merecer esse nome.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Cientista Político


            Como podemos considerar alguém como cientista político, caso ele não parta do princípio de que o advento da propriedade privada é a pedra angular para que se entenda a vida social e política, hoje?
            Como podemos aceitar alguém que se diga cientista político, mas não veja o fato da propriedade privada ser um produto histórico e não decorrência da truculência, do egoísmo ou esperteza de alguns?
            Como podemos acatar alguém, como cientista político, se ele não reconhecer o caráter de classe do Estado? E ainda, se ele não tiver clareza de que o poder político, o Estado, não existia, na sociedade humana, durante centenas de milhares de anos, que precederam a divisão da sociedade em classes e camadas sociais?
            Como podemos consentir que sejam sábios da ciência política aqueles senhores que não distinguem a diferença substancial entre poder e governo?
            Como a academia burguesa, instituição que tem como objetivo cumprir duas missões: Produzir mão de obra qualificada para o mercado capitalista e aprofundar, consolidar e legitimar a ideologia desse sistema socioeconômico, poderia permitir uma formação revolucionária?
            Como podem alguns presumidos cientistas reivindicarem-se marxistas, graças à “generosidade” da burguesia que os acolhe e os financia, para que ofereçam a perspectiva de um socialismo emasculado, de sabor burguês?
            Como pode alguém se arvorar de cientista político sem constatar que o capitalismo, revolucionário nos seus primórdios, entrou em acelerado processo de exaustão, nos colocando diante do dilema: Socialismo ou a tragédia total?
            Não é a ciência política, gestada e desenvolvida fora do âmbito das academias burguesas, o conhecimento que nos orienta rumo à superação do capitalismo?            Em outras palavras, não é o marxismo o único instrumento que nos fornece os princípios do socialismo revolucionário?
            Enfim, por que os bem remunerados e prestigiados pela ordem socioeconômica vigente, aqueles que têm o “marxismo” como profissão e os olhos vesgos voltados para subjetividade, não se prestando a lançar luz que sirva a uma militância real e consequente, devem ser aceitos, por nós, como cientistas políticos?
            Seria a academia burguesa, tão ingênua, ao ponto de permitir que, do seu seio, brote o conhecimento necessário a elucidação dos “enigmas” sociais e políticos, que turvam a nossa visão, criam densas nuvens de fumaça para que não enxerguemos as verdades de nossa realidade social e política?
            Sempre é hora de refletir, hora de questionar, e esse tema, cremos, ser de grande relevância para aqueles que buscam livrar-se da pasmaceira político-ideológica que os longos anos de hegemonia stalinista, em conluio com a direita explícita, nos impôs.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

“A fome tem pressa”


É claro que quem tem fome tem pressa. Ninguém de bom senso pode desmentir. Foi partindo daí que o inesquecível Betinho conclamou a todos para a formação de Comitês da Cidadania, cujo objetivo seria acudir os milhões de famintos do Brasil. Setores da classe média, tocados por esse apelo, formaram comitês e se lançaram na tarefa de colher donativos que deveriam chegar para os famintos.
Sob o argumento de que, “quem tem fome tem pressa”, estava embutida uma proposta nada interessante. Propunha-se a suspensão da atividade política, para nos lançarmos em socorro assistencialista de combate a fome. É sensato, porém, que diante de um problema que nos incomode, busquemos a causa. Tentar combater a fome sem buscar erradicar a causa e demover os fatores que a produz, é um caminho fadado ao insucesso.
Ora, sabemos que a fome, assim como outros problemas sociais, tem como causa a vigência de um capitalismo exaurido, cuja alma é a busca de lucro para uns poucos. Sendo assim, deve ser prioridade para os que querem erradicar as mazelas sociais, dar duro combate ao sistema socioeconômico que produz essas mazelas, o Betinho, na sua santa ingenuidade, nos propôs centrar esforços numa política essencialmente assistencialista, dentro da milenar tradição cristã que se caracteriza por administrar a miséria, enquanto nós, socialistas, nos empenhamos em combater a causa e assim erradicá-la.
            Os Comitês da Cidadania deram margem para o posterior programa Fome Zero e este desembarcou de malas e bagagens no tão propalado Bolsa Família. Em todos esses momentos, ficou bastante patente que se optou pelo caminho do gerenciamento da miséria ao invés de se buscar a sua erradicação como pretendem os verdadeiros socialistas. Ora, buscar a erradicação da desigualdade e, por conseguinte, da pobreza e da miséria, nos leva a implementar uma política explícita de caráter anticapitalista. Não podemos, nem devemos ludibriar a boa fé de tantos, nos empenhando tão somente em combater os efeitos, e aí reside o ponto central da questão.



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

“Os grotões”


Nos anos da ditadura, existiam dois partidos: ARENA e o MDB. O primeiro representava os golpistas mais conservadores. O segundo reunia os que achavam que o Estado de Exceção havia cumprido a sua missão de afastar o “perigo vermelho” e que era hora de reinstalar o “Estado Democrático de Direito”.
Houve um momento em que o MDB batia a ARENA governista nos grandes centros urbanos, mas perdia nos “grotões”, especialmente no nordeste. Diante desse fato, o político Tancredo Neves, afirmou que a ARENA era o partido dos grotões, onde existia menor nível de informação e de independência, enquanto prevalecia o maior grau de controle do coronelismo.
Hoje, alguns repetem o argumento de que o nordeste dá sustentação ao PT e seus aliados como: Sarney, Temer, Barbalho, Calheiros, Collor, Maluf... Existem os que acusam o PT de usar uma imensa compra institucionalizada de votos através do Bolsa Família, transformada em grande reduto eleitoral.
Não se pode negar a vulnerabilidade de uma população carente, na linha do desespero. Marx, no Manifesto Comunista, referia-se aos excluídos, ao lupem, dizendo que sua precariedade levava a que eles pudessem se vender em troca de um prato de lentilha (feijão). Não obstante a procedência desse argumento, não podemos dar guarida às manifestações fascistas que, abstraindo as condições de vida da população nordestina, resvalem para o racismo, querendo imputar a eles a condição de sub-raça.
Entretanto, por conta desse nosso justo repúdio, não podemos deixar de ver que a vulnerabilidade política dos contingentes mais necessitados pode tornar esse público alvo fácil da chantagem e do terror, tão vastamente praticado pelo petismo, sem que essa constatação se preste a legitimar a outra ala da burguesia, pronta a patrocinar políticas comprometidas com o sistema.
A reflexão isenta, é a forma mais consequente para analisar as eleições de 2014. Afinal, nós nos posicionamos: “nem petralhas, nem tucanalhas”, somente o povo consciente poderá nos levar ao caminho da emancipação.


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O que é o fascismo



As categorias políticas, em geral, têm sido de difícil compreensão para muitos, em decorrência da confusão conceitual que dela se faz. Temos lembrado que a democracia política produzida pelas revoluções burguesas, particularmente pela clássica Revolução Francesa, foi um grande patrimônio, uma grande conquista para a humanidade. Os marxistas não desprezaram esse patrimônio, mas não se contentaram com essa conquista e propuseram que, para além da democracia politica, buscássemos a conquista da democracia social. Dai a expressão social-democracia, que depois foi enlameada como foram, em momento distintos, enlameadas as palavras socialistas e comunistas, dado o seu uso indevido e até criminoso.
Retornemos, porém, às nossas argumentações. Partindo do principio que a liberdade para a burguesia era uma necessidade, ela havia de romper com todas as amarras do velho feudalismo. Assim, ela permitiu conquistas tais como: o voto universal e secreto; o direito de ir e vir; liberdade de pensamento e organização e tantas outras conquistas que foram revogadas quando se instituiu um governo policial que impunha um discurso único; um partido único; a supressão do livre debate; a instituição de uma policia politica; a instauração de campos de concentração para os dissidentes e outras medidas coercitivas.
Esse procedimento é conhecido pelo nome de totalitarismo ou fascismo e ele só pode se realizar no âmbito do capitalismo. Foi justamente na URSS, dado à inviabilidade da proposta socialista e da necessidade de se cumprir tarefas do capitalismo, através do Estado, que se deu o primeiro ato de revogação das liberdades democráticas. Ou seja, foi aí que se deu a primeira prática de uma política, inegavelmente, totalitária ou fascista.
Depois dessa primeira experiência totalitária, vamos encontrar o exercício do fascismo na Itália de Mussolini e na Alemanha de Hitler. Veja-se que nos casos citados observa-se a revogação da prática democrática e a construção de um Estado eminentemente policial.

Por seu turno, vale salientar que não procede taxar de fascistas governos autoritários e até sanguinários, pois a conceituação de fascismos tem uma conotação muito mais profunda e abrangente. O fascismo é, antes de tudo, a contrarrevolução na sua forma mais exacerbada e ela se dá através, tanto do stalinismo, como posteriormente, do nazifascismo.