sexta-feira, 8 de junho de 2012

REFORMAR É CONSERVAR



Sabemos que o desejo imediato das massas trabalhadoras é mudar a sua forma de viver. É desejo dessa massa ter direito a um emprego, a um salário condigno, a uma boa moradia, à segurança, à educação, a uma assistência à saúde de boa qualidade, transporte confortável e seguro, e assim teríamos uma lista infinda de reformas desejadas pela população. Dizemos reformas por que tudo isso é pretender mudar o formato, sem pretender mudar o conteúdo. Nesse sentido, reformar é, como se reforma uma casa, é pretender conservá-la. Esse sentimento natural que possuem as massas trabalhadoras do mundo inteiro é que faz de suas vidas uma luta permanente. É justo, portanto, que estejamos ao lado do povo quando ele reivindica essas reformas que lhes permitam uma vida de menor sacrifício. Contudo, é obrigação dos esclarecidos dizer que o mundo socioeconômico que vivemos, o capitalismo, é incapaz de oferecer a plena satisfação das massas trabalhadoras. As reformas permitidas dentro desse sistema têm limites, e os donos do poder, que servem aos interesses dos capitalistas, não permitem que se ultrapasse um milímetro sequer desses limites. Algumas reformas que, aqui e acolá, conquistam as massas trabalhadoras e elas, por uma razão ou outra, sentem-se satisfeitas com pequenos ganhos e isso é importantíssimo para a conservação do sistema capitalista.
Hoje, quase não temos uma esquerda que denuncie o caráter limitado das reformas. A imensa maioria da “esquerda” deu as costas ao socialismo, renunciou à luta de transformação para se tornarem meros reformistas. Deles acalentam a ilusão de que perseguindo o caminho das reformas, gradativamente, chegaremos a promover a transformação e isso não é verdade não, passa de mera ilusão ou de um discurso de má fé. Aqui no Brasil temos o exemplo do PT, PSB, PCdoB que se transformaram em partidos reformistas e daí tornou-se fácil pular para uma posição fisiológica, ou seja, uma posição política que lhes permite participar das instituições burguesas, prestar-lhes serviços e pelos serviços prestados, merecer algum quinhão, quando não, verdadeiras fortunas como é ilustrativo o caso público de Antonio Palocci.
Assim dá-se uma infeliz regressão: de pretensos revolucionários pula-se para o reformismo e daí para o fisiologismo e a gatunagem explícita. Restam pequenos grupos que tentam fugir desse caminho e procuram resgatar o socialismo revolucionário alvo de uma acachapante derrota em nível mundial.

2 comentários:

  1. muito bem camarada Gilvan Rocha, a luta por reformas deve ser apenas um meio e jamais um fim, pois é impossível resolver as mazelas sociais nos limites do capitalismo, por isso, a luta por reforma tem que ter um rumo à revolução socialista.

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  2. Ivanildo Cavalcante17 de junho de 2012 20:53

    Esse deve ser o discurso da esquerda, negar esse fato, é fazer o jogo da burguesia! Parabéns, Gilvan!

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