terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ÁFRICA DO SUL



            Os da minha geração lembram-se da política fascista processada na África do Sul, onde uma minoria da raça branca detinha o poder e submetia a imensa população negra a um regime de super-exploração e de humilhação. Havia no mundo uma repulsa ao governo branco da África do Sul.
            Os negros, organizados por inspiração do Partido Comunista, procuravam exercer uma política de resistência e, até mesmo aspiravam promover um movimento que derrotasse o fascismo e implantasse um governo dos trabalhadores.
            Dentre as figuras heróicas da resistência negra, na África do Sul, destacou-se Nelson Mandela. Preso e julgado arbitrariamente, esse militante negro chegou a permanecer cerca de 28 anos nos cárceres do governo branco. Dotado de uma coragem e de uma fibra de primeira ordem, Mandela soube suportar as agruras do cárcere.
            No mundo todo havia movimentos pela soltura de Nelson Mandela, e é oportuno lembrar que Mandela, quando foi preso, existia na África do Sul a maior favela do mundo, a favela de Soweto. Passados os anos e em função das mudanças na conjuntura política mundial, foi possível negociar com governo branco a soltura de Mandela e promover eleições chamadas livres, contanto que se preservasse o poder econômico, financeiro e o controle do Estado em mãos da população branca.
            A Mandela só era dado o governo, que ele exerceu obedecendo a tudo que se havia combinado e, no término de seu governo, outro negro assumiu o posto de presidente e Soweto, que já era miserável antes da prisão de Mandela, tornou-se maior e mais miserável ainda após o seu governo.
            O seu sucessor notabilizou-se pelos seus crimes de estupro e suas práticas de corrupção, tornando a África do Sul um país de grandes desigualdades e injustiças. Isso prova que a questão não é racial a questão é de natureza de classes sociais diferentes, pouco importando se branca ou preta. Esses fatos revelam também, que uma coisa é o governo e outra bem diferente é o poder. Governos vão e vêm, mas o poder permanece a serviço do capitalismo. 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

ESQUERDA DIREITOSA


Lênin, um dos expoentes do movimento socialista, nos legou a grande obra: “Esquerdismo, doença infantil do comunismo”. A rigor, registramos o direitismo como velha doença do comunismo. Tivemos o ataque direitista formulado por Bernstein, no final do século XIX, que mereceu pronta resposta dos verdadeiros socialistas.
Em 1912/13, quando o mundo se preparava para ser palco da guerra inter-imperialista, a direita burguesa conseguiu transformar, regra geral, os partidos socialistas numa esquerda direitosa, que renunciou o socialismo para se converter ao social-patriotismo.
Com a derrota da revolução socialista, em escala mundial, a insurreição russa trouxe grandes esperanças. Entretanto, submetida ao isolamento e às carências próprias de um país de periferia, o socialismo sucumbiu para dar lugar a uma esquerda ultra-direitosa, peça auxiliar da manutenção do capitalismo.
Podemos afirmar que as premissas da contra revolução mundial têm suas raízes no X Congresso do Partido Comunista Russo, em 1921, quando foi aprovada uma resolução em que se sustava o livre debate, impunha o monolitismo e o partido único, organizava a polícia política para punir os dissidentes, fossem eles de esquerda ou de direita, levou-se a cabo a construção de campos de trabalho forçado e as execuções sumárias e todas essas medidas, mesmo que tenham sido tomadas com boas intenções, ela se prestaram a constituir-se na base do mais horrendo dos fenômenos históricos, o stalinismo.
A partir daí, usando de todos os instrumentos disponíveis, assim como de todos os métodos, consolidou-se a esquerda direitosa, peça auxiliar na sustentação, até os dias de hoje, do mundo capitalista. Essa esquerda direitosa baniu a luta de classes e nos induziu a imaginar que o móvel político da história, era a luta entre diferentes interesses nacionais, e dentro desse contexto, essa esquerda direitosa, põe de lado a afirmação de que “o proletariado não tem pátria” e se assume como nacionalista, deixando bem clara sua feição direitista, patriota, patronal.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

DESINFORMADO OU MAL INFORMADO


            São situações totalmente diferentes entre aqueles que são desinformados e os que são mal informados. No primeiro caso, na desinformação, é como se o nosso cérebro fosse uma folha em branco e, por essa razão, os desinformados tendem a se comportar com uma maior dose de humildade no processo de aprendizado. Enquanto isso, existe uma gama de pessoas que dispõem de uma boa carga da má informação, e  tendem a preservá-la como se fosse verdade.
            Quando você tem que levar informação aos desinformados, você conta com certa receptividade, mesmo que o desinformado, por conta, muitas vezes, da falta de outros pré-requisitos, também, apresente certo grau de dificuldades em assimilar novos conceitos.
            Transmitir conhecimento, sempre foi uma tarefa que requer esforço, tanto de quem se propõe a transmitir quanto aos que se dispõem a aprender. A questão fica mais complicada quando você se depara com uma legião de mal informados, que tendem a resguardar os seus conceitos, mesmo infundados, como se fossem verdades eternas. Diante do mal informado, temos o trabalho penoso de tentar desconstruir os seus falsos conceitos para oferecer os novos conceitos. Essa dificuldade de ensinar ao mal informado muda muito de grau e circunstâncias. O homem simples, o trabalhador, é desinformado, entretanto, lhe faltam pré-requisitos que o ajudem a melhor assimilar novos conceitos. Quanto ao segundo, isto é, ao mal informado, também muda de situação: existem aqueles iletrados, os semi-letrados e os bem letrados. É justamente entre os bem letrados, os doctors, que vamos encontrar uma maior parcela de dificuldades em desfazer os seus equívocos, pois, regra-geral, a sua ignorância está respaldada pelos títulos que as tantas academias burguesas lhes conferem, e esse fato produz convicções, e a convicção, como já foi dito, é muito mais grave do que a própria mentira. Mesmo contando com essas dificuldades que temos diante dos desinformados e mal informados, é nosso dever ministrar a verdade histórica que tanto nos falta. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

DEVER DE OFÍCIO


            Mentir é, essencialmente, necessário para a burguesia manter o sistema capitalista calcado na desigualdade e produtor permanente de tantas desgraças sociais, como são a fome, as favelas, o desemprego, os baixos salários, a prostituição, a corrupção, a violência e tantas outras. Nesse sistema, existem basicamente duas classes sociais, a burguesia, que são os ricos, e os pobres, que são os trabalhadores empregados ou desempregados. Os ricos representam uma minoria, e essa minoria só pode se manter de pé através do exercício contínuo da mentira. Se ao invés dos discursos mentirosos florescesse a verdade, o povo trabalhador e sofrido poria abaixo, num piscar de olhos, a ordem capitalista. Ora, se é dever dos ricos praticar a mentira, seria dever dos partidos, sindicatos, dos movimentos que se declaram contra a injustiça social, desconstruir os discursos mentirosos e propalar a verdade.
            Pregar a verdade, é deixar claro para a nossa família, para o nosso vizinho, para o nosso colega de trabalho, que o principal inimigo do povo é, justamente, o sistema capitalista. Esse discurso é fundamental, pois é necessário que tomemos consciência dessa verdade, e a partir dela, coloquemos a cultura da mentira numa merecida sepultura, ou seja, os discursos burgueses calcados na fraude, na enganação, devem ser abatidos, desmascarados e sepultados. Só assim ganharemos a paz e a justiça. Só assim reinará uma sociedade fraterna onde as pessoas viverão em irmandade e nunca essa sociedade que ai está e se mantém com a exploração do homem pelo homem. Assim sendo, quando vemos e ouvimos a burguesia falar e representar suas mentiras, achamos isso natural, pois de outra forma não sobreviveria, como já dissemos. Ficamos chocados, entretanto, quando vemos partidos, movimentos ou sindicatos que se reivindicam contra essa ordem econômica e social de exploração, repetirem os discursos da burguesia e dessa forma prestarem serviço não aos trabalhadores, não à massa sofrida e sim, a essa minoria de ricos que exerce o poder a ferro e fogo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

CARTA MARCADA

            É com muito cinismo, verdadeiro descaramento, que a burguesia nos trata, usando fartamente o contributo de políticos, tribunos, jornalistas e outros prepostos, para nos fazer de idiotas. Olhemos bem, e vejamos uma de suas lorotas espalhadas por todo recanto através de todos os meios que ela, a burguesia, dispõe. Dizem eles: o poder emana do povo e em seu nome será exercido, e anunciam que essa formulação é um princípio básico da “nossa” Constituição chamada de Carta Magna.
            Não precisa ser tão esperto para perceber que governo e poder são coisas diferentes, e que, mesmo limitados, mesmo subalternos, os governos são escolhidos através dos arranjos da burguesia, cabendo ao povo optar entre candidatos que não passam de cartas marcadas.
            Aqui ou acolá, ocorre de um candidato surpreender os donos do poder e se sagrar governo em um município, estado ou na presidência. Quando tal fato ocorre e esse suposto governo tentar levar avante uma política que entre em choque com os interesses do sistema capitalista, o que se vê na história, é que o poder trata de banir o hipotético governo popular para, assim, resguardar os interesses da burguesia.
            Dessa maneira, o sistema demonstra de forma clara, quão mentirosa é a afirmação de que o poder emana do povo e em seu nome haverá de ser exercido. É lastimável que um dos temas mais encantadores que preferem os bacharéis é repetir, de bom grado, o cinismo explícito do discurso do sistema e dessa forma prestar um inestimável serviço à ordem vigente, em prejuízo dos interesses reais do povo.
            Ao denunciar esse descaramento, aproveitamos para denunciar o comportamento de partidos que se auto-proclamam de esquerda, fazem eco a tais mentiras e cultuam a ordem jurídica desse sistema, limitando-se a denunciar aqui e ali, alguns excessos, porém negando-se a denunciar a própria essência do sistema que manipula a população particularmente em período eleitoral, levando a cabo um jogo de cartas marcadas, onde, a rigor, só existe um ganhador, representado por uma das facções do sistema. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A FORÇA DO DINHEIRO


            É muito claro que a “mola do mundo capitalista é o dinheiro”. Assistimos fatos que deixam isso comprovado. Há poucos dias um jovem rico, dirigindo embriagado um automóvel de alto luxo, chocou-se com vários carros e provocou a morte de uma senhora. Ele cometera toda sorte de agressão, mesmo assim, não demorou preso, pois pagou a sua fiança e foi colocado em liberdade.
            Um pobre ciclista que venha a cometer algum delito de trânsito, e que seja preso, terá que continuar, pois lhe faltarão com certeza, o dinheiro da fiança, assim como, advogados qualificados para vir em seu socorro, como aconteceu com o motorista do carro de luxo.
            Temos presenciado o testemunho de quanta força tem o dinheiro, pouco importando os direitos humanos. Na ocupação de “Pinheirinhos” no Estado de São Paulo, 1.600 famílias foram expulsas dos seus barracos de forma truculenta para cumprir-se uma ordem judicial.
            Esses poucos exemplos tão constantes nas nossas vidas, mostram com toda clareza que o direito maior não é a vida e sim a propriedade dos que detém fortunas.
            Não devemos continuar de braços cruzados, assistindo à caminhada criminosa desse sistema que, em busca do lucro, tudo destrói.
            Só uma força poderá deter a força do dinheiro, ou seja, deter a força do capital, e essa força tem nome e endereço, pois ela é o povo que, se consciente, não permitirá tantos abusos e tantas crueldades. Por essa razão, é que todos nós, explorados, oprimidos e humilhados por esse perverso sistema, devemos abrir os nossos olhos e reparar em nosso redor a crueldade que nos é imposta.
            A tomada de consciência é, portanto, o caminho que teremos para conquistar uma nova ordem econômica e social, baseada na justiça. Para tanto é necessário nos libertarmos das futilidades que o próprio sistema divulga. Ao invés de nos prostrarmos diante dos aparelhos de televisão para que não tenhamos tempo de discutir os nossos problemas, devemos estar bem atentos e nos transformarmos em gente consciente e nunca um bando de pessoas permanentemente enganadas. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

BANCO PALMAS


            Num bairro da periferia de Fortaleza, que se caracteriza pela presença de uma população carente, surgiu a proposta de organizar um Banco Popular, que se prestasse a socorrer pessoas em estado de necessidade, efetuando empréstimos a juros baixíssimos.  A ideia prosperou e mereceu o apoio e os aplausos da população em geral e a boa vontade das entidades filantrópicas. Na verdade a iniciativa é digna de aplausos, mas é necessário procurar situar a sua natureza. Trata-se de uma ação de resistência à miséria que é produzida pelo sistema capitalista.
            Buscando diminuir o sofrimento, o citado Banco não deixa de prestar um grande serviço ao próprio capitalismo, quando atenua situações de sofrimento da população excluída ou à beira disso.
            Não se trata de uma organização que tenha por objetivo a denúncia necessária contra o capitalismo. Trata-se de uma atitude que tendo por objetivo servir a esse próprio sistema merece os afagos de grandes instituições como o BNB, a UFC, e outras instituições do mesmo naipe. Até setores progressistas, ao invés de ver na experiência apenas uma iniciativa de resistência, chegam a imaginar que se trata de uma experiência de caráter mais avançado. Isso porque a maioria das pessoas confunde obras sociais com socialismo. Ora, as obras sociais são aquelas voltadas para a população, especialmente a população carente sem, contudo, ultrapassar os limites do sistema vigente. Enquanto isso, o socialismo propriamente dito, é um projeto de transformação radical da sociedade e isso faz a diferença.
            É justamente pelo caráter estritamente de resistência que essas iniciativas merecem os nossos aplausos, mas merecem também a nossa advertência de que tais atitudes, se não avançarem rumo à denúncia e à oposição ao sistema capitalista, que é a causa de seus sofrimentos, estaremos aplaudindo uma iniciativa que, em última instância, faz a alegria da burguesia na medida em que acalenta os desafortunados, evitando que sua possível indignação venha à tona e coloque em risco os seus interesses. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

LUTANDO NA ESPANHA


            Por obra dos noventa anos de hegemonia stalinista a nossa história ficou marcada por grandes tragédias e uma sucessão de derrotas da proposta socialista. Dentre as múltiplas derrotas que nos impôs a caminhada stalinista, a Revolução Espanhola merece ser conhecida, ao invés de se colocar uma pedra em cima desse episódio como fizeram os partidos comunistas e seus assemelhados, para que nós não tomássemos conhecimento do vil papel levando a cabo contra a humanidade usando, indevidamente, o carimbo do marxismo-leninismo de diversas cores. Quem da nossa esquerda dentre os aguerridos ativistas que se apresentam como legítimos revolucionários conhecem esse episódio chamado Guerra-Civil espanhola, onde o socialismo foi apunhalado pelas costas pelo vil punhal da GPU, ou seja, a polícia política soviética? É hora de rompermos o tapume que esconde a verdade histórica, que esconde de nós o episódio ilustrativo do golpe de 1964, sobre o qual pouco se sabe, pois pouco se discute. Tapume que esconde a experiência do Chile, da Indonésia, da Guatemala, da revolução boliviana de 1952, da Guerra Civil na Grécia, da Revolução Chinesa, da Revolução Cubana, do genocídio praticado em nome do comunismo no Camboja.       
            A vitória e consolidação do stalinismo, cujo berço foi o X Congresso do Partido Comunista russo em 1921, reduziu a esquerda mundial a cultores de dogmas e, quanto à História, essa dispensou todo o rigor no sentido de silenciá-la ou distorcê-la. Daí termos chegado a um estado de pobreza política nunca esperado. Temos uma esquerda, modo geral, não conhece a História, particularmente, aqueles episódios mais gritantes, mais elucidativos, como é o caso da Revolução Espanhola, que padece da ausência de literatura capaz de trazer à tona as verdades ali ocorridas. Por essa razão é que estamos festejando o relançamento do livro Lutando na Espanha, escrito por um militante socialista George Orwell, e o recomendamos a todos que tenham a pretensão de conhecer os fatos e processar uma militância consequente.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O CAMINHO DAS URNAS


            Diz-se que o poder vem do povo e em seu nome é exercido. Isso é uma grande mentira e temos insistido em denunciá-la. O poder é o aparato de Estado. Forças Armadas, Polícias, aparelho Judiciário, aparato Administrativo, constituem o poder real, e esse poder não é colocado nas disputas eleitorais.
            Confundindo deliberadamente a massa do povo iletrado, letrado e bem letrado, o sistema, ou seja, o capitalismo, nos faz crer que governo é poder, e a partir daí diz: a democracia implica na alternância de poder. Vejamos dois exemplos: na Inglaterra há alternância de governo, uma hora é o Partido Trabalhista que governa, e noutra é o Partido Conservador. Nos Estados Unidos uma hora tem-se o Partido Republicano e noutra o Partido Democrata no exercício do governo. É alternância que se dá nos chamados Estados Democráticos, mudam os governos, porém, permanece a máquina do poder, ou seja, permanece o Estado.
            Depois de nos enganar dizendo que governo é poder, eles aplicam outra grande mentira que consiste em dizer que o caminho do poder está nas urnas, e com isso eles fazem passar a ideia de que mudando o governo, estaremos mudando o próprio sistema capitalista em que vivemos. A grande verdade é que os governos servem de escudo para proteger o poder, e o poder se presta a proteger os interesses da burguesia. Nos levam a crer que nossas insatisfações se devem aos maus governos e que basta encontrar governos capazes de proporcionar a justiça e a paz e isso é impossível, enquanto perdurar o sistema capitalista.
            O jogo deles é simples, vocês está insatisfeito? Está indignado? Então atira pedra no governo, xinga o governo, mas deixa o sistema capitalista em paz. E assim, eles vão perpetuando a desigualdade e a cada dia um punhado de pessoas acumula maiores fortunas, enquanto crescem as desgraças sociais, e o caminho para enfrentar essa situação é se libertar das mentiras e compreender que o inimigo maior da massa do povo é o capitalismo, pois é esse sistema a única causa das imensas mazelas sociais que vivemos.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

REINA O FISIOLOGISMO

        No trato dos interesses do sistema capitalista, faz-senecessário que existam políticos, tribunos, prepostos que se empenhem nadefesa do sistema, tendo essa tarefa como um dever ideológico. São pessoas
que centram suas atividades em fazer apologia do capitalismo e tentar esconder seus malefícios. Deles há alguns que chegam a dizer que o capitalismo tem um lado cruel, mas não há outra saída senão conviver com as mazelas sociais ministrando medidas que possam atenuar o sofrimento da maioria.
           Na história recente do Brasil, houve um momento em que muitos políticos assumiram a postura de militantes ideológicos. O MDB, por exemplo, durante a ditadura, se colocou como um reduto de democratas
dispostos a lutar pelo Estado Direito. 
          Revelaram-se grandes quadros de natureza ideológica, como foram exemplos, Ulisses Guimarães, Franco Montoro, Mário Covas, Tancredo Neves, Jarbas Vasconcelos, Paes de Andrade e outras figuras.
           Esse conglomerado de políticos ideológicos foi tragado pelo vendaval do fisiologismo que teve sua expressão maior na eleição de Fernando Collor.
          Os fisiológicos, contrariamente dos ideológicos, colocam os interesses privados, de grupos ou famílias, em primeiro lugar. E esse grupo fisiológico conseguiu sepultar a imensa maioria dos políticos ideológicos, dando lugar a uma safra de inescrupulosos, carreiristas e corruptos como bem passou a ser o novo PMDB, com José Sarney, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Romero Jucá, Michel Temer e outros do mesmo naipe. Chegou a hora da cafajestada, da corrupção, dos répteis rastejando pelos corredores do
Estado em busca de vantagens.
            Doloroso é ter visto florir o Partido dos Trabalhadores e com ele a esperança de ter nascido uma força política que encarnava os interesses históricos das classes trabalhadoras. Mas o curioso, entretanto,
é que o PT fez questão de se afastar do velho MDB ideológico, para processar o mais íntimo casamento com a corja dos políticos fisiológicos e com eles dividir as benesses, os favores e a corrupção que no momento político são tão pródigos.