sexta-feira, 29 de março de 2013

Latifúndio




Por conta dos mesquinhos interesses da burocracia soviética, no seu empenho em edificar o capitalismo de Estado, por ocasião do VI Congresso da Internacional Comunista, em 1928, o Brasil foi enquadrado na condição de país semi-colonial que convivia com “restos feudais” no campo. A partir desse infundado diagnóstico, foi formulada uma teoria para a revolução brasileira. Essa revolução se daria em duas etapas. A primeira etapa seria a revolução democrática burguesa, de perfil nacionalista e reformista, que cumpriria as tarefas de proclamar a soberania nacional e promover, entre outras reformas, a reforma agrária. A segunda etapa, seria a revolução socialista, sempre adiada para as calendas gregas.
Em nome da revolução democrática burguesa, agitava-se com veemência, a bandeira de uma profunda reforma no campo e se acusava o latifúndio como o gerador da maioria de nossas misérias sociais. A agitação contra o latifúndio, até resvalava para propostas distributivas da terra em minifúndios, apresentando essa forma de propriedade como progressista. Propunha-se então, a substituição da grande propriedade agrária por pequenas propriedades, ou seja, propunha-se a substituição de um proprietário, por vários e vários pequenos donatários.
A condenação ao latifúndio atropelava o conceito real sobre ele. Latifúndio quer dizer, grande propriedade rural e esse tipo de propriedade se coaduna  com o velho escravagismo; com o feudalismo; com o capitalismo e com toda certeza, poderá se coadunar com o socialismo, caso esse venha se sobrepor ao exaurido sistema socioeconômico vigente. Fica claro, pois que a questão não é o tamanho da propriedade rural e sim o caráter dela.
É muito fácil desnudar o caráter equivocado da teoria da revolução brasileira, formulada pela Terceira Internacional Comunista. Em tempo de imperialismo, devemos opor ao capitalismo a revolução socialista e nunca a inviável soberania nacional, mola propulsora de um execrável nacionalismo de tão perniciosas influências. Por sua vez, as reformas propugnadas, tendo como espinha dorsal a reforma agrária, se prestariam apenas a adequar a economia burguesa, no Brasil, a uma nova etapa do seu desenvolvimento e essa não é a tarefa dos socialistas.

Um comentário:

  1. Ivanildo Cavalcante29 de março de 2013 19:28

    Camaradas, amigos e simpatizantes, do escritor e articulista socialista Gilvan Rocha. Vamos ocupar todos os espaços existente na mídia, e em outros meios de comunicação, para divulgarmos o belo e indispensável trabalho do companheiro Gilvan Rocha. Fazendo isso, estamos vestindo a camisa do socialismo, e ele agradece!!!
    P.S. Quem não vai gostar disso, é a burguesia e seus asseclas!

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