segunda-feira, 22 de abril de 2013

Solução




Em determinado momento, Karl Marx afirmou: “Não existem, na História, problemas que ela não possa resolver”. Isso é uma verdade, porém, devemos ter bem claro o conceito de resolver, o conceito de solução. Usando um exemplo extremo, podemos dizer que diante de uma dor de dente, podemos, como solução, disparar um tiro no ouvido. É evidente que a dor de dente deixou de existir, entretanto, não consideramos essa solução a mais feliz.

            Dessa forma, é que devemos ter em conta que o capitalismo produz uma situação de crise, a tal nível que haverá de ser resolvida, seja pela superação e a construção de uma nova ordem econômica e social, o socialismo, ou seja pela tragédia total que leve ao fim da própria raça humana. Vemos que ambas as hipóteses se enquadram na colocação feita de que, a História não se expõe problemas que não possa resolver, como costumava declamar o “nosso” intelectual marxista-leninista-trotskista, imaginando que solução tem como único conteúdo uma natureza positiva, e isso não é verdade.

            O mesmo raciocínio se aplica a expressão mudança. Ora, mudar é uma condição permanente da própria existência. Tudo existe em movimento, tudo existe em constante mudança. Porém, nem toda mudança é interessante, é louvável. Mudar de uma casa confortável para uma tapera, não pode ser considerada uma boa mudança. Então, torna-se necessário que acoplemos à palavra mudança, alguma colocação esclarecedora do que realmente pretendemos.

            É um equívoco, apesar de poético, se afirmar: “Nada é impossível de mudar”. Não é que a afirmação não tenha procedência, muito pelo contrário, mas nosso objetivo maior não é simplesmente o de promover mudanças. Do ponto de vista econômico e social, o capitalismo pode nos oferecer um leque enorme de mudanças formais, sejam elas positivas como propõem os reformistas, sejam elas negativas, como ocorre nos momentos de crise. Por sua vez, existe a mudança que extrapola os limites estritamente formais, produzindo, essencialmente, uma nova realidade. Uma mudança de qualidade, a que chamamos de revolução, é que deverá ser este o nosso propósito, pois somente ela poderá arrancar a humanidade do desfecho trágico para o qual o capitalismo nos arrasta.

Um comentário:

  1. Mestre Gilvan, meu guru ! Impossível não haver congruência com o que pensamos !

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