quarta-feira, 10 de julho de 2013

Pensar dói



É muito comum ouvirmos das pessoas: “não quero quebrar minha cabeça”. Quebrar a cabeça, significa pensar e, realmente, o ato de pensar é doloroso e as pessoas tendem a não exercitar o pensamento e assumir todo o pensar que está posto. Ora, a burguesia, classe beneficiada com o sistema capitalista, é uma minoria. Para essa minoria dominar a imensa maioria desfavorecida, nesse sistema sócio econômico, não bastaria somente o uso do chicote; mais eficiente seria conseguir dominar a cabeça dos explorados, oprimidos e humilhados.
Com o objetivo de proceder à dominação das cabeças de nossa gente, a burguesia, fazendo uso de todos os seus meios, planta o seu pensamento em nossas cabeças. Sem nos darmos conta, assumimos todo um pensar que nos é imposto. É frequente ouvirmos alguém dizer com todo orgulho: “a minha mãe me ensinou a não querer as coisas alheias”. Esse pensamento é importantíssimo para a conservação dos interesses e dos privilégios da burguesia e, assim, como esse caso dado como exemplo, existe um número incalculável de outros raciocínios que servem para a manutenção desse sistema de desigualdade e injustiça.
Esse conjunto de idéias, chama-se ideologia e ele é plantado no seio da sociedade para garantir uma pretensa perpetuação da desigualdade que, inadvertidamente, pensamos e defendemos a posição de que ela é justa. Fica claro, portanto, que a ideologia burguesa é muito mais eficiente no processo de dominação do que o chicote, a repressão. A ideologia e a repressão são os dois instrumentos básicos para garantir a chamada “ordem social” e assim, manter os explorados e oprimidos sujeitos à dominação capitalista. Isso não interessa aos trabalhadores, às donas de casa, à juventude. Para romper com esse quadro de dominação, é necessário que se busque desconstruir a ideologia burguesa e o caminho para a tarefa de desconstrução do pensar dominante é o exercício do nosso pensar.
Pensar dói, é um fato, mas não há outra saída para nós, pois é melhor a dor do pensar que nos leve à libertação, do que o consolo de uma falsa paz que nos leve ao conformismo e ao consentimento da permanência de um sistema que produz tantas dores sociais.

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